A Robbin – uma fintech fundada por dois ex-bankers da XP e Itaú – acaba de captar US$ 8 milhões em sua primeira rodada institucional, turbinando o caixa para expandir sua plataforma de crédito B2B que permite a varejistas parcelar suas compras com a indústria.

A rodada seed foi co-liderada pelo Canary, Atlântico e Caravela, e teve a participação da AB Seed, Norte Ventures e dos americanos Clocktower e Tomorrow Capital.

A Robbin foi fundada há dois anos e meio por Leonardo Moura, que trabalhou seis anos na XP, liderando a área de debt capital markets internacional, e outros seis no Itaú BBA, também na área de DCM internacional.  

05 12 Leonardo Moura ok

Os co-fundadores são Henrique Meyer, que teve passagens pelo DCM do Itaú, Citi e HSBC; e Tomás Corrêa, o CTO, que foi um dos fundadores da OpenCo, a startup de crédito investida pelo Softbank que surgiu da fusão entre a Geru e a Rebel.

A tese da startup é melhorar a relação da indústria com seus clientes varejistas por meio de uma solução mais digital e moderna de pagamento e crédito – semelhante ao que acontece nas compras do consumidor final.

“Nos últimos 20 anos vimos uma revolução muito grande no mundo de pagamentos para os consumidores, com cartão de crédito, parcelamento e buy now, pay later,” Leonardo disse ao Brazil Journal

“Mas as soluções de pagamento para o pequeno varejista, que tem as mesmas demandas de crédito e de uma boa experiência, ficaram paradas no tempo. É esse gap que estamos tentando atacar.”

Leonardo disse que um cliente varejista novo normalmente só pode comprar à vista das grandes indústrias, o que prejudica seu capital de giro dado que boa parte de suas vendas são a prazo. Mesmo os varejistas que já têm crédito junto às indústrias normalmente têm prazos curtos de pagamento (30, 60 ou 90 dias) e um limite mal calibrado, além de uma experiência ruim, segundo ele.

“O fato da indústria dar menos crédito e prazo do que poderia faz com que ela acabe vendendo menos para esse varejista,” disse Leonardo. “Quando um varejista começa a usar a nossa plataforma ele gasta, em média, 21% a mais com aquela indústria.”

A solução da Robbin é um cartão de crédito virtual, que pode ser acessado por meio de um aplicativo de carteira digital. Esse cartão foi criado usando o trilho do PIX, que tem custos transacionais muito menores que um cartão Visa ou Mastercard.

Quando o varejista usa o cartão para comprar da indústria, ele pode parcelar a compra (o número de parcelas varia caso a caso) e também acumula pontos dentro de um programa de fidelidade. Já a indústria recebe o valor à vista da Robbin, que passa a ficar responsável pelo recebimento desse crédito.

Leonardo disse que a Robbin criou uma esteira de crédito que garante uma inadimplência menor que a média do mercado para PMEs, que é de 5,5%, segundo o Banco Central. 

“Trabalhamos com um conjunto de dados muito amplo. Primeiro coletamos dados dos ERPs das indústrias, que mostram o histórico de relacionamento com o varejista – se ele já atrasou o pagamento antes e por quanto tempo, por exemplo. Depois, juntamos com dados do BC, dos birôs de crédito e com uma camada adicional do open finance,” disse ele. 

A Robbin hoje tem parceria com oito indústrias, incluindo a Cantu Pneus, Chilli Beans, Baterias Moura, Brinox, Votorantim e Tigre – que cadastram os clientes varejistas na plataforma da startup. 

Esses varejistas podem usar o cartão da Robbin em compras com qualquer um de seus fornecedores, mas as indústrias associadas tem benefícios como uma taxa menor nas transações e acesso ao programa de benefícios. A expectativa da Robbin é terminar este ano com 50 indústrias parceiras. 

Desde que foi fundada, a startup fez R$ 200 milhões em crédito, com o funding vindo basicamente de operações bilaterais com bancos. 

Agora, a startup acaba de levantar um FIDC de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões ao câmbio de hoje), que vai permitir financiar a operação por pelo menos mais um ano e meio. 

A Robbin adquiriu 100% das cotas subordinadas do FIDC, mas está em conversas com algumas das indústrias com que trabalha para que elas também entrem no risco do crédito – o que criaria um alinhamento maior na originação e performance da carteira.