A Petrobras surpreendeu negativamente o mercado com resultados e dividendos abaixo do esperado – mas o sellside está otimista com os próximos trimestres, enquanto a CEO da companhia jura que não vai rasgar dinheiro.

O balanço publicado hoje ainda não trouxe os impactos positivos da guerra do Irã para a Petrobras. Isso porque as exportações para a Ásia, a maior compradora dos barris da companhia, são precificadas pelas cotações médias do mês anterior. Como o conflito eclodiu no final de fevereiro, a captura de um Brent mais alto só será reconhecida no trimestre iniciado em abril.

O EBITDA da Petrobras, de US$ 11,7 bilhões, foi 10% inferior ao consenso, segundo a equipe de research do BTG, que está mais otimista para os próximos resultados.

Embora a Petrobras ganhe em uma ponta com a disparada do Brent, ela não tem repassado toda a alta aos preços dos combustíveis – o que acende um alerta no mercado sobre o desempenho da área de refino, que gerou prejuízos bilionários da última vez em que a estatal segurou preços.

Magda Chambriard

Para o BTG, no entanto, a companhia se beneficiará da subvenção ao diesel aprovada pelo Governo Federal em abril, que está compensando parte desses impactos.

“Nós também estamos trabalhando na questão da gasolina, e em breve os senhores vão ter também boas notícias em relação à nossa gasolina,” a CEO Magda Chambriard disse em teleconferência de resultados. “Nós estamos tratando disso. Vai acontecer já já um aumento de preços na gasolina.”

Já no diesel, a subvenção do Governo tem permitido à empresa e rivais importar para garantir o abastecimento do mercado – “sem prejuízo”, disse Magda. 

“Não há prejuízo arcado pela Petrobras em relação a qualquer tipo de ação para evitar a volatilidade de preço ao consumidor brasileiro. A Petrobras está tendo lucro, pretende continuar tendo lucro.”

A CEO também disse que a empresa não está fazendo “uma ação social pela ação social” ao segurar os preços. “Agora, aqui nessa diretoria e neste momento, a gente gosta mesmo é de dinheiro.” 

Ela definiu a política de subsídios do Governo como um “suporte” e “parceria” com a empresa, permitindo que os “preços altos da guerra não cheguem ao mercado brasileiro.” 

Para atender o mercado doméstico de combustíveis, a Petrobras também tem trabalhado com suas refinarias perto do limite da capacidade. Em março, o fator de utilização atingiu 97,4%, o maior desde dezembro de 2014. E abril e maio bateram novos recordes, segundo a CEO. 

“A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias.”

Analistas avaliam que, apesar do primeiro tri mais fraco, a Petrobras deve apresentar um segundo tri melhor – mesmo não repassando aos preços toda a alta do petróleo. 

Por outro lado, a companhia descartou o pagamento de dividendos extraordinários.

O CFO Fernando Melgarejo disse que a maior geração de caixa já vai apoiar os dividendos ordinários, e que um eventual cash flow adicional vai priorizar investimentos e pagamento de dívidas.

Recentemente, por exemplo, a Petrobras exerceu uma opção de compra de US$ 450 milhões para ficar com os 50% da Petronas nos campos Tartaruga Verde e Espadarte Módulo III, surpreendendo o mercado e frustrando a Brava Energia, que havia negociado a aquisição com a petroleira da Malásia.

“Nossa fase de desinvestimento acabou. Agora não gostamos mais de vender, gostamos de comprar e aumentar participação,” Magda disse aos investidores na call

Além de revisitar a carteira de potenciais investimentos no Brasil, preparando inclusive um projeto para alcançar autossuficiência em refino, para seu próximo Plano de Negócios a companhia também disse que avalia oportunidades no Golfo do México e que pode olhar até a Venezuela – que está na “wish list.”

Ao final da teleconferência, Magda voltou a repetir uma frase que tem usado recorrentemente, desafiando os investidores mais pessimistas com a empresa.

“Quem apostar contra a Petrobras vai perder dinheiro.”

A ação encerrou o dia com queda de 1,62%, a R$ 45,68, enquanto o Ibovespa caiu 0,86%.

Nos últimos 12 meses, a Petrobras sobe 44%, apoiada pelos maiores preços do petróleo.