Uma das artistas brasileiras mais relevantes no circuito internacional, Beatriz Milhazes recebeu, em seu ateliê no Rio, Nilton Bonder para este episódio de The Business of Life.
Conhecida por suas composições abstratas e cores vibrantes, Milhazes integra coleções de instituições como o MoMA e o Guggenheim, em Nova York, e o Tate Modern, em Londres. Bateu sucessivos recordes como a brasileira viva mais valorizada em leilões internacionais.
Carioca de Copacabana, com temporadas na Paraty da família materna, Milhazes cresceu entre igrejas, festas populares e um repertório brasileiro que marcaria sua obra.
Mas a arte não foi a sua primeira opção: durante a faculdade de jornalismo, ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 1980, por sugestão da mãe. Ao entrar, “foi como se eu tivesse recebido uma missão,” disse.
Milhazes escolheu a arte. A repercussão foi imediata — e, para ela, precoce: participou da emblemática exposição Como Vai Você, Geração 80?, que marcou a retomada da pintura no País no fim da ditadura. “Eu tinha muito medo de tudo isso. Eu sabia que não estava pronta,” disse.
A carreira (e o estilo) de Beatriz se consolidaram a partir da década de 90, quando trocou a colagem pela pintura. Para ela, a colagem era “um mundo interessante, mas que limitava muito.” A solução foi desenvolver um método que preserva a lógica da colagem — mas feito inteiramente com tinta. “Eu inventei uma matemática para mim,” disse.
Nesse processo, um encontro foi determinante: o do professor escocês Charles Watson, no Parque Lage. Em um ambiente marcado pela experimentação, Watson introduziu um rigor formal que dialogava com a inventividade. Graças a Watson, Milhazes incluiu elementos do carnaval no seu trabalho. “Eu sou uma carnavalesca conceitual,” disse.
A carreira internacional foi construída gradualmente a partir dos anos 90, e ganhou escala com a participação na Bienal de Veneza de 2003, quando representou o País ao lado de Rosângela Rennó. “Muitas pessoas acham que eu dormi de um jeito e acordei de outro, e isso não é verdade.”
Ao refletir sobre sua trajetória, Milhazes aponta dois pilares: honestidade e foco. Em um ambiente marcado pela dispersão e pela lógica das redes sociais, defende um movimento oposto — de olhar para si mesmo. “Você deve ser um exemplo daquilo em que acredita,” disse.
“Acho que o mundo precisa de beleza. Não a beleza cosmética, mas a beleza espiritual. Ela traz um outro universo.”
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