Uma startup fundada há dois anos está tentando construir uma infraestrutura global para a validação de identidades digitais – apostando numa nova abordagem para atacar o mesmo problema que deu origem à Unico e Idwall.
Para isso, a Didit – fundada no Vale do Silício por irmãos gêmeos espanhóis – acaba de fechar uma rodada de US$ 7,5 milhões, atraindo fundos americanos como o Y Combinator, Rebel Fund, Pioneer, Orange Collective, Founders Future e Phoshopr Capital.
A rodada também teve a participação da SaaSholic, a gestora brasileira que foi o primeiro cheque da Didit e dobrou a aposta na rodada de hoje, e do brasileiro Felipe Lamounier, um dos fundadores da Hyperplane, vendida recentemente ao Nubank.

Apesar de atacar o mesmo problema da Unico e Idwall – a validação da identidade digital dos usuários e as fraudes crescentes no mundo digital – a Didit está apostando num modelo de negócios diferente.
Enquanto as concorrentes fazem vendas mais consultivas, com contratos tradicionais para clientes enterprise, a Didit criou uma plataforma que pode ser testada gratuitamente (as primeiras 500 validações do mês não são cobradas) e acessa as empresas principalmente por meio dos desenvolvedores. (Hoje ela tem apenas dois vendedores no time, e direciona boa parte de seu marketing para atrair o interesse dos programadores.)
Os fundadores, Alberto e Alejandro Rosas, comparam o modelo da Didit ao da fintech de pagamentos Stripe, dizendo que a ideia é construir a ‘Stripe da identidade digital.’
“Antes da Stripe as soluções de pagamentos eram difíceis de integrar, opacas e basicamente locais. A verificação de identidade hoje é exatamente assim,” Alberto, o CEO, disse ao Brazil Journal. “A Stripe veio e criou uma camada de infraestrutura global e fácil de usar. Queremos fazer a mesma coisa na identidade e prevenção de fraudes.”
Alberto e Alejandro fundaram a Didit depois de já terem criado e vendido uma startup antes. Os dois – que são formados em engenharia e matemática e começaram a ‘codar’ com apenas 12 anos – fundaram em 2021 a Gamiumcorp, que atuava na Web3, e venderam o negócio três anos depois.
Depois da saída, decidiram fundar a Didit porque avaliaram que a verificação de identidade “será um dos maiores problemas da internet por conta da inteligência artificial.”
“A fraude já está crescendo muito. Fintechs, empresas cripto, marketplaces e até sistemas de venda de ingressos estão enfrentando muito mais fraudes e chargebacks do que no passado,” disse o CEO.

“Toda aplicação na internet – não importa se é uma fintech, rede social ou qualquer outro tipo de plataforma – vai precisar de prevenção a fraudes e verificação de identidade em todo o ciclo de vida do usuário.”
A Didit já funciona em dezenas de países, com a plataforma operando em 10 idiomas diferentes. O maior mercado hoje é o Estados Unidos, que responde por 20% da receita, seguido pelo Brasil, onde a startup vai abrir um escritório e contratar um time local nos próximos meses. A Didit tem clientes ainda no Japão, Austrália, Canadá, além de diversos países da Europa.
Nos EUA, ela compete com players como Persona, Socure e Jumio, que já valem bilhões de dólares. No Brasil, os principais concorrentes são a Unico e a Idwall, que também já são unicórnios e estão bem capitalizados.
Alberto disse que os dois países são muito parecidos em termos de prevenção a fraudes. “Se você quiser contratar uma solução de verificação de identidade, você só vai encontrar esses provedores enterprise. E aí vai precisar falar com o time de vendas deles, fazer longas integrações e setups caros. Essas empresas também são todas locais e só operam bem no país onde estão,” disse o fundador.
“O que fazemos diferente é oferecer um produto aberto e flexível. Qualquer desenvolvedor consegue integrar a Didit em cinco minutos. Essa combinação de sermos developer-friendly, globais, flexíveis e mais baratos faz toda a diferença.”











