O Grupo SBF – dono da Centauro e da operação da Nike no Brasil – fechou o quarto tri com uma forte aceleração nas vendas, mas as margens sofreram graças a um novo ciclo de investimentos.
A empresa fundada por Sebastião Bomfim viu sua receita líquida crescer 11,8% para R$ 2,4 bilhões, em linha com o consenso.
O EBITDA ajustado ficou em R$ 314 milhões e o bottom line, em R$ 164 milhões.
Os números ficaram acima do consenso, que apontava EBITDA de R$ 261 milhões e lucro de R$ 136 milhões, mas foram quedas de 0,8% e 4,1% em relação ao mesmo tri do ano anterior.
O CEO Gustavo Furtado disse ao Brazil Journal que a rentabilidade caiu devido ao aumento dos investimentos no trimestre, em linha com o projeto Destrava, que visa acelerar o crescimento da empresa e recuperar o market share perdido nos últimos dois anos, especialmente para redes menores.
O capex no período saltou 66% para R$ 189,7 milhões.
Um dos principais movimentos que o grupo fez foi o aumento dos patrocínios no futebol, passando a patrocinar o Vasco e o Atlético-MG, além de ter estendido o apoio ao Corinthians.

Além disso, a Nike será a patrocinadora da SP City Marathon, uma das corridas de rua mais importantes do calendário de São Paulo.
Para completar, a empresa reforçou a contratação de vendedores e as reformas de lojas – que somaram R$ 88 milhões em investimentos, uma alta de 90% em relação a um ano.
“É natural que esses investimentos tenham impacto nas margens, pois há um tempo de amadurecimento. Então, vamos ter um impacto temporário no aumento dos custos,” disse Furtado.
O CEO disse que este novo ciclo não deve resultar em um aumento grande da alavancagem – uma das grandes preocupações do mercado num passado não tão distante.
A alavancagem da companhia encerrou o ano em 0,96x EBITDA, um aumento de 0,58x em relação ao mesmo período de 2024.
“Não vamos entrar numa situação parecida com a que a gente enfrentou em 2023 e 2024,” disse.
Um dos catalisadores do crescimento esperado pela companhia este ano é a Copa do Mundo, que deve ajudar as vendas da Nike, especialmente com o lançamento das camisas da seleção brasileira.
O SSS da Centauro foi o destaque no tri: cresceu 15,7% – nove pontos percentuais acima do mesmo período de 2024.
Na Fisia, a operação da Nike, o crescimento do SSS foi mais tímido: 4,8% nas vendas em mesmas lojas, mas revertendo uma queda de 2,9% um ano antes.
No terceiro tri, a Centauro anunciou que investiu cerca de R$ 70 milhões na compra de uma aeronave para “viabilizar e garantir maior eficiência nas visitas à operação pelos executivos” – o que incomodou alguns gestores comprados na ação.
O CEO disse que a decisão está ligada à necessidade de acompanhar mais de perto a operação. “Temos 230 lojas da Centauro e 50 da Fisia em um país continental. A nova estratégia exige visitar mais lojas, inclusive em regiões mais distantes,” disse.
Outro ponto que chamou a atenção do mercado foi o fim do acordo de acionistas com a GP, o que levantou questionamentos sobre a governança e uma maior influência do Bomfim na gestão.
Segundo Furtado, a percepção de aproximação do Bomfim é natural e nada muda na governança da companhia.
A discussão sobre incentivos fiscais também gerou dúvida entre investidores ao longo do tri.
Victoria Machado, a diretora de RI do SBF, disse que a companhia não deve perder benefícios tributários em 2026 – o que deve ajudar a compensar parte da pressão cambial sobre os produtos importados da Nike.
Mas a dinâmica tributária deve mudar em relação ao ano passado.
Em 2025, a empresa praticamente não pagou imposto de renda graças à combinação de incentivos fiscais e a estratégia de distribuição de juros sobre capital próprio entre as empresas do grupo.
Com algumas unidades de negócio – especialmente a Centauro – voltando a ter mais lucro este ano, a companhia deve voltar a pagar mais impostos, ainda que com uma alíquota reduzida.
Por isso, a expectativa é que o EBITDA cresça mais rápido que o lucro líquido no próximo ano.
A ação da dona da Centauro sobe 4% nos últimos 12 meses, e a empresa negocia a 10x EBITDA para os próximos doze meses.
A empresa vale R$ 2,8 bilhões na B3.











