A Cosan acaba de lançar o IPO da Compass com uma oferta 100% secundária que pode levantar R$ 4,6 bilhões no meio de faixa indicativa e trazer para a Bolsa uma gigante de infraestrutura num dos setores com maior potencial de crescimento da economia.

A oferta dará saída parcial à Cosan, que detém 88% do capital da companhia de gás, e a investidores como Bradesco Seguros, Atmos Capital, Brasil Capital e Prisma, que juntos detêm os 12% restantes.

A Cosan poderá vender até 15% do capital na oferta, enquanto os demais minoritários poderão vender até 5,4% do total de ações.

A faixa indicativa é de R$ 28 a R$ 35 por ação, o que se traduz num valuation de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões para a companhia. No meio da faixa, o valor de mercado seria de R$ 22,5 bilhões.

No midpoint, o valor de mercado seria uma valorização de cerca de 35% em relação à rodada privada que a Compass fez em 2021, quando o negócio foi avaliado em R$ 16,5 bilhões. De lá para cá, no entanto, a empresa já pagou cerca de R$ 8 bilhões em dividendos e redução de capital.

No meio da faixa, a Compass está sendo avaliada a 6,6x EV/EBITDA, em linha com o múltiplo médio de utilities como Sabesp, Equatorial e Copel.

A comparação, no entanto, não é perfeita.

A Compass é uma empresa que importa gás pelo seu terminal de GNL em Santos, comercializa este gás no mercado livre pela Edge e o distribui no mercado regulado por sete distribuidoras estaduais – incluindo a Comgás, a maior do Brasil e hoje sua joia da coroa.

Mas o maior potencial de crescimento da empresa está na Edge, sua comercializadora, dado que o mercado livre de gás tem crescido e deve continuar crescendo nos próximos anos, permitindo à Compass ganhar share junto a térmicas a gás e clientes industriais.

“Por um lado, a Edge adiciona um pouco mais de risco ao negócio em comparação a uma utility clássica. Por outro, ela oferece uma avenida de crescimento muito maior que essas empresas,” uma fonte envolvida na oferta disse ao Brazil Journal, acrescentando que acredita que a Compass mereceria um prêmio de múltiplo por conta disso.

Criada há apenas três anos, a Edge saiu do zero para um EBITDA de cerca de R$ 650 milhões no ano passado.

A oferta da Compass será dividida entre a oferta-base, o greenshoe e o hot issue. Na oferta-base, o plano é levantar R$ 2,8 bilhões, enquanto o restante dos R$ 4,6 bi seriam levantados com o greenshoe e o hot issue.

Para a Cosan, a oferta poderia injetar cerca de R$ 3,3 bilhões no caixa, considerando o greenshoe e o hot issue. A empresa continuará dona de mais de 70% da Compass.

A totalidade dos recursos da oferta será usado para reduzir a dívida líquida da holding de Rubens Ometto, que já caiu de mais de R$ 30 bilhões antes da venda da participação na Vale para cerca de R$ 10 bilhões.

O roadshow começa hoje no Brasil. A empresa fará rodadas de conversas também em Londres e nos EUA nas próximas semanas. O pricing deve acontecer em 7 de maio.

A fonte envolvida na transação disse que a companhia já tem ordens cobrindo mais de 70% da oferta-base. Segundo essa fonte, os investidores estão “animados” com a tese, mas há uma incerteza por fatores externos que têm pesado na demanda, principalmente a guerra no Irã.

“A Compass é um ativo que tem aspectos quase de renda fixa, com uma receita muito previsível na maior parte do negócio e um nível de inadimplência próximo de zero. É uma empresa pouco afetada pelo cenário macro. Ainda assim, essas incertezas macro e a questão das eleições sempre acabam atrapalhando um pouco,” disse esta fonte.

A Compass fez uma receita líquida de R$ 16,6 bilhões no ano passado, com um EBITDA de R$ 4,9 bilhões e um lucro líquido de R$ 1,4 bi.

Os coordenadores são BTG Pactual (líder), Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, JP Morgan, Santander, XP, UBS BB e BNP Paribas.