O barril do petróleo rompeu hoje a temida barreira dos US$ 100, e já ameaça causar danos até ao agronegócio brasileiro, com analistas pelo mundo apontando para uma crise inédita na indústria em meio à guerra no Irã.
“Neste momento, o mundo assiste à maior interrupção na oferta de petróleo de todos os tempos, juntamente com um forte abalo nos mercados globais de gás natural,” disse Daniel Yergin, vice-chairman da S&P Global e um dos mais renomados especialistas em petróleo no mundo.
“A pergunta fundamental para os mercados energéticos globais agora é quanto tempo durará essa guerra explosiva,” escreveu ele no Financial Times.
O choque das últimas horas — em cima de uma alta consistente ao longo da última semana – veio depois que EUA e Israel bombardearam locais com infraestrutura de petróleo em Teerã e conforme ficou claro que não há solução imediata para o fechamento do Estreito de Ormuz.
Por ali passam não só 20% dos barris de petróleo negociados no mundo, mas também outros produtos vitais para a economia, como fertilizantes.
No Brasil, a situação tem causado tensão no agronegócio, que teme uma explosão nos custos de produção em um momento em que ocorrem a colheita de soja e o plantio de milho, Alê Delara, sócio da Pine Agronegócios, disse ao Brazil Journal.
“Já há restrições de oferta do diesel em algumas regiões; fretes rodoviários dispararam também, e isto prejudica o fluxo dentro do Brasil. Para as próximas safras, há forte aumento dos preços dos fertilizantes e defensivos químicos.”
A defasagem no preço do diesel da Petrobras na comparação com o mercado internacional trava importações, e leva alguns distribuidores a segurarem a oferta à espera de um esperado aumento da estatal. Um reajuste, embora aumente custos, “ajudaria a destravar o fluxo,” segundo Delara.
Olhando a tela na manhã de hoje – com Teerã em chamas no fim de semana – a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) estimou a defasagem do diesel em 85% nos polos de vendas da Petrobras.
Enquanto isso, ministros da Fazenda do G7, o grupo de países mais ricos do mundo, se reuniram hoje e chegaram a discutir o uso emergencial de suas reservas de petróleo.
Por ora, ainda não houve uma decisão de liberar as reservas. Ainda assim, o preço do Brent recuou para abaixo dos US$ 99 no início da tarde com a informação sobre o encontro do G7. A única coisa certa é que a situação é extremamente volátil.
“Discutimos todas as opções disponíveis,” o diretor da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, escreveu no X logo após a reunião.
Ele disse que os países do G7 detêm 1,2 bilhão de barris em estoques de emergência, além de mais 600 milhões de barris de estoques industriais mantidos por determinação governamental, e que esses volumes poderiam ser disponibilizados ao mercado.
Birol descreveu o atual cenário como de “riscos significativos e crescentes” para o mundo, e afirmou que teve ligações recentes com ministros de Energia de vários países, incluindo do Brasil.
Para Yergin, da S&P, a paralisação do Estreito de Ormuz, caso se prolongue, é “o cenário de pesadelo” da economia global, ameaçando um choque de preços mais duradouro que pode levar a uma recessão.
“Desde que a guerra no Irã começou, há uma semana, Teerã tem feito tudo que pode para transformar isso em uma realidade.”
O Presidente Donald Trump escreveu ontem em sua rede social que os preços do petróleo “vão cair rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear do Irã acabar.”
Segundo ele, o caos energético atual é “um preço muito baixo a se pagar” pela “paz e segurança” que a vitória na guerra contra o Irã deverá gerar para os EUA e o mundo.
Será que o mundo concordará – ainda mais depois que o novo choque do petróleo gradualmente espalhar seus efeitos pelas economias globais?
Para Trump… “SOMENTE OS IDIOTAS PENSARIAM DIFERENTE!”.











