O Mercado Livre acaba de lançar sua operação de venda de medicamentos – um projeto-piloto que vai começar na cidade de São Paulo.
A investida acontece sete meses após a empresa ter comprado uma pequena farmácia em São Paulo que pertencia à startup Memed.
As ações da companhia sobem 5% no início da tarde, num dia positivo para a Bolsa americana.
A operação inicial será via 1P e com uma página dedicada dentro da plataforma. Mas a entrega, por enquanto, terá cobertura limitada aos bairros da Vila Mariana, Paraíso e Itaim Bibi, com prazo de até três horas. 
O sortimento também é limitado: apenas medicamentos sem prescrição (OTC) serão vendidos, como analgésicos, antitérmicos e vitaminas.
Fernando Yunes, o vice-presidente executivo do Mercado Livre, disse ao Brazil Journal que o objetivo de longo prazo do MELI é se tornar um marketplace para as farmácias – e não um concorrente.
“O que a gente quer é que as farmácias entrem no Mercado Livre e prosperem – queremos ser parceiros e não competir com elas,” disse Yunes.
Nas contas do executivo, o mercado movimenta cerca de R$ 200 bilhões por ano – sendo que 10% disso está no online.
A tese do MELI é que esse número pode crescer mais aceleradamente se a empresa conseguir resolver um dos principais desafios do setor, que é a escala nacional. A maior parte das farmácias brasileiras ainda é formada por redes regionais.
“Quando essas farmácias entram no Mercado Livre, elas podem alcançar o País todo,” disse Yunes. “Temos o case de uma grande varejista regional que já faz 40% das vendas online dela para outros estados dentro do Mercado Livre.”
O avanço, no entanto, depende de um fator-chave: a regulação. Yunes enxerga que a Anvisa já está se atualizando e mais aberta a essa discussão.
Ele chama a atenção para a autorização da venda de medicamentos em supermercados, mas com limitações: os varejistas alimentares podem montar farmácias próprias, desde que em áreas separadas e com farmacêuticos trabalhando em tempo integral.
Hoje, o Mercado Livre já vende medicamentos – inclusive com receita – em países como México, Argentina, Chile e Colômbia, além de observar modelos semelhantes nos Estados Unidos, Europa e China.
Para a XP, o movimento era esperado e ainda está longe de ser disruptivo. O banco destaca que a operação atual é limitada em escopo e depende de parceiros para ganhar escala – além de enfrentar um setor com vantagens estruturais relevantes.
As grandes redes de farmácia no Brasil, dada a sua capilaridade, construíram uma proposta difícil de ser batida: entregas em menos de uma hora, atendimento com farmacêuticos e alta fidelização dos clientes.
Para a analista Danniela Eiger, o modelo mais próximo do MELI nessa área seria o iFood – que conecta as farmácias sem carregar o seu estoque. O banco estima que a empresa representa cerca de 1,5% das vendas do varejo farmacêutico.
Nos testes iniciais da nova ofensiva do MELI, a XP encontrou preços alinhados aos das farmácias tradicionais, com o Mercado Livre sendo mais agressivo no frete – gratuito acima de R$ 79 – mas ainda com prazos mais longos de entrega.
As ações do Mercado Livre caem 12% nos últimos doze meses. A empresa vale US$ 86,7 bilhões.











