Os investimentos em rodovias no País devem somar cerca de R$ 400 bilhões nos próximos oito a dez anos, trazendo um ciclo virtuoso para o setor – mas também alguns desafios.

Para a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), um dos pontos de atenção para as empresas será a ampla necessidade de pessoal capacitado para a construção, operação e manutenção de estradas após o último ciclo de leilões.

“Há questões que não são de curtíssimo prazo, são de médio prazo. Uma delas é a mão de obra. A engenharia virou uma bola da vez,” disse Marco Aurélio Barcelos, o presidente da ABCR, ao Brazil Journal

“Precisaremos construir essa safra de engenheiros. Ir nas faculdades e falar: ‘cara, em engenharia você vai ter um mercado aquecido para os próximos 10, 15 anos’.”

Isso porque a demanda virá em um momento em que muitos engenheiros foram fazer carreira em outros setores – ou até viraram motoristas de aplicativo – diante da fraqueza recente do mercado de infraestrutura após a crise de 2015 e a Lava Jato.

“Tem uma turma que está se formando em engenharia e indo pro mercado financeiro. Eu falo: cuidado. Você pode perder seu emprego. A Inteligência Artificial pode pegar o que você faz,” disse Marco Aurélio.

Já as rodovias e a cadeia de suprimento do setor demandarão o tipo de profissional “que suja a bota” e o “engenheiro clássico” para cuidar de projetos, segundo ele. 

“A engenharia é a profissão do Brasil do futuro.” 

Com passagens anteriores pelo Governo Federal, no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), e pelas administrações estaduais mineira e paulista, o presidente da ABCR entende que o setor de rodovias vive “seu melhor momento em toda a história.”

“Se você levar em consideração o programa de investimentos federal e os estaduais, nunca tivemos isso. Vai ser um período de muita virtuosidade. O investimento em si, a mobilização dos recursos, a geração de renda, de tributos.”

Ele avalia que o que está acontecendo agora é o resultado de uma sequência de trabalhos sérios no setor iniciados ainda no Governo Temer, quando ele fez parte do PPI, e que deverá continuar seja quem for o próximo Presidente da República.

“Esses R$ 400 bilhões em investimento de que falamos não estão mais no Power Point, em editais, estão contratados. O que precisaremos agora é garantir que isso vai ser implementado.” 

Além da mão de obra, ele citou entre outros desafios os processos de licenciamento ambiental no setor.

Questionado sobre o recente anúncio do Governo Lula, que suspendeu multas pelo não pagamento de pedágios free flow e deu prazo para que motoristas regularizem sua situação, Marco Aurélio disse ver a iniciativa como uma “consolidação” do modelo, e não uma ameaça.

Isso porque não houve um perdão total, mas sim uma nova chance para que as tarifas sejam quitadas sem multa, inclusive com modernização do processo de cobrança.

A promessa de Brasília é viabilizar nos próximos meses a visualização e quitação dos pedágios free flow por meio do aplicativo “CNH do Brasil.” 

O Governo Lula também se comprometeu a manter o modelo de praças de pedágio eletrônico, sem cancelas. 

“Querendo ou não, estamos recuperando um passivo. As pessoas estão pagando. Apesar de o Governo ter dado 200 dias de prazo, os levantamentos que temos hoje são de que as pessoas já estão respondendo. Elas não estão nem esperando os 200 dias.”