A PRIO acaba de obter do IBAMA a (muito aguardada) licença de operação para o campo de Wahoo, aumentando sua produção em 25% até o final de abril.
Ao mesmo tempo, a maior petroleira júnior do País se prepara para outra discussão bastante esperada: dividendos.
“Até a metade do ano devemos estabelecer uma política de remuneração aos acionistas. Na verdade, uma política de dividendos/recompras,” o CEO Roberto Monteiro disse ao Brazil Journal.
A discussão sobre dividendos é tempestiva porque Wahoo adicionará 40 mil barris por dia à produção da PRIO, um incremento de 25% sobre os números de janeiro. E a companhia fará isso com um custo de extração impressionantemente baixo: cerca de US$ 1 por barril, disse Monteiro.

Como será interligado à plataforma de Frade, que já está operacional – o chamado tieback – Wahoo conseguirá produzir cada barril de petróleo por menos que o preço de um litro de gasolina nos postos.
As projeções da PRIO apontam que só Wahoo poderá contribuir com uma geração de caixa livre de US$ 1,5 bilhão este ano. Mas essa conta considera preços do Brent em US$ 60, pré-Irã.
No início da tarde, o barril trocava de mãos a US$ 84, com o mercado precificando o aumento do risco geopolítico e de escoamento.
“Com petróleo a US$ 75, você teria alguma coisa perto de entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões em adicional. Então isso vai gerando caixa,” disse o CEO.
Segundo Monteiro, a PRIO já vinha recomprando sua própria ação, mas há um limite para essas transações para não “secar” a liquidez do papel e não distorcer o preço.
“Se você tem uma quantidade de recursos maior para devolver aos acionistas, sem dúvida vai ter que pensar em dividendo e recompra.”
O CEO disse que a discussão já começou no conselho, presidido pelo fundador da companhia, Nelson Queiroz Tanure.
O início efetivo das operações em Wahoo é estimado para as próximas semanas, com um ramp up até meados de abril.
O licenciamento do campo estava em andamento há tempos, e enfrentou obstáculos como a greve no IBAMA, há dois anos. A PRIO chegou a prever, em 2023, que Wahoo poderia produzir no segundo semestre de 2024.

“Agora é a coroação de um processo que começou em 2022,” disse Monteiro.
Com Wahoo, a PRIO chegará próxima dos 200 mil barris por dia em produção. Em janeiro, a companhia extraiu 155 mil barris/dia.
O volume ainda deve subir com a conclusão da compra de uma fatia adicional de 20% em Peregrino, que levará a companhia a ter 100% do ativo. O closing é esperado para o segundo semestre.
Depois, a PRIO vai focar nos preparativos para uma campanha de perfurações adicionais em Frade, e prevê para 2027 trabalhos de revitalização da produção em Albacora – o campo comprado da Petrobras numa transação concluída em 2023.
“Estamos em um momento de olhar muito para dentro. O negócio de M&A é parte do nosso DNA, mas eu diria que este ano é mais de crescimento orgânico,” disse Monteiro.
Com isso, “uma parte relevante” do caixa extra gerado por Wahoo e Peregrino irá para os acionistas, “de uma maneira ou de outra” – dividendos ou recompras.
A PRIO também terá uma redução gradual na alavancagem – a relação dívida líquida/EBITDA está em 2x, e deve ir para cerca de 1x até o final de 2027, disse Monteiro.
A PRIO vale R$ 50 bilhões na Bolsa. A ação sobe 50% nos últimos 12 meses e opera de lado hoje.











