MIAMI – O Nubank anunciou hoje o início de sua operação nos EUA, mirando um mercado potencial de 100 a 150 milhões de desbancarizados, ou underbanked

Segundo o CEO David Vélez, ainda que o segmento “natural num primeiro momento” seja o de latino-americanos que já conhecem o banco, a operação nos EUA não será nichada. 

“Será um banco competitivo no mass market,” Vélez disse após uma apresentação aqui no Nu Stadium e transmitida em tempo real.

Além disso, o Nubank lançou uma conta global que permite transferências gratuitas de recursos entre 35 países – competindo diretamente com a Revolut, que obteve este mês uma licença bancária provisória nos EUA.

David Vélez

“Cerca de 95% do sistema financeiro global é formado pelos incumbentes. As fintechs e bancos digitais não são os nossos maiores concorrentes,” disse Vélez. 

Segundo um analista, a conta global foi uma surpresa e “mostra que o Nubank também quer se posicionar como a Revolut, que tem um valuation maior”.

Nos Estados Unidos, o Nubank começa a funcionar sob uma aprovação condicional do regulador obtida em janeiro – enquanto aguarda a licença completa de banco nacional.

Com isso, lançou uma conta corrente remunerada, com rendimento real de 3,5% ao ano. É algo raro nos EUA, segundo Vélez, onde entre 60% e 70% dos depósitos bancários não são remunerados – uma conta que ficou pesada com o aumento da inflação e dos juros.

Os depósitos são mantidos num banco parceiro, o Lead Bank. Os clientes terão ainda cartões de débito e crédito com cashback de 1,5%. Depois de obter a full licence para um banco nacional, os produtos hoje disponíveis no Brasil, como empréstimos pessoais, também serão oferecidos nos EUA. 

Eduardo Rosman, que cobre o Nubank no BTG, disse ver um “profit pool atraente” no mercado de crédito americano. “Mas a execução será crucial”.

Como nos demais países em que opera – México, Colômbia e Brasil – o Nubank aposta numa baixa estrutura de custos para ser competitivo nos EUA.

Segundo Cristina Junqueira, a CEO do banco nos EUA, a operação americana começa com cerca de 60 funcionários e a despesa por cliente será de aproximadamente US$ 1, frente a uma média de US$ 20 dos grandes bancos locais. “E esses são os caras que têm escala, imagina os menores.”

Já a receita por cliente deve ser dez vezes maior que a obtida pelo Nubank nos outros países em que atua, em razão do câmbio e da maior renda per capita nos EUA. “Ou seja, se chegarmos a 10 milhões de clientes, 10% do mercado potencial, será como ter 100 milhões de clientes no Brasil,” disse Cristina.

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O plano é consumir em torno de 1 ponto percentual do índice de eficiência – cerca de US$ 250 milhões – para encontrar o product market fit correto, e crescer a partir daí.

A parceria com a Wise, que hoje opera os cartões globais do Nubank, continua por enquanto, mas o objetivo é unificar os produtos sob a estrutura proprietária do banco com a conta global, disse Cristina.

Nessa conta, os depósitos em diferentes moedas são convertidos em dólares digitais ou euros digitais – stablecoins pareadas ao dólar americano e ao euro –, com rendimento diário de 3,50% ao ano e 2,20% ao ano, respectivamente. 

“Vamos entender as necessidades em outros países e talvez abrir bancos nessas regiões,” disse Vélez. Para os brasileiros, a conta estará disponível “em breve”.

O anúncio não mexeu com a ação do Nubank, que sobe 0,2% no final do pregão. O banco vale US$ 73 bilhões na NYSE.