John Waldron – o atual COO da Goldman Sachs e favorito para suceder David Solomon como CEO – pode assumir a cadeira já no fim do ano que vem ou início de 2028, disse o Wall Street Journal.

Em reuniões recentes, o board da Goldman tem discutido acelerar a promoção de Waldron para garantir a permanência do executivo, que já chegou a negociar sua ida para firmas de private equity como Apollo Global e Carlyle enquanto Solomon afirmava internamente que não deixaria a empresa tão cedo.

No início de 2025, Waldron foi convencido a ficar, mediante um bônus de retenção de US$ 80 milhões por mais cinco anos e um assento no board. Agora, deve mesmo chegar ao posto de CEO.

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Segundo o WSJ, a promoção também permitiria ao board abrir espaço para o rearranjo de outros executivos do senior management.

O CFO Denis Coleman, por exemplo, já vem assumindo algumas funções de COO, enquanto Dan Dees e Ashok Varadhan, os chefes da divisão de bancos e mercados, e Marc Nachmann, que lidera o negócio de gestão de ativos e patrimônio, são outros nomes cotados para ascender no organograma.

Caso o plano se concretize, Solomon, que é CEO desde 2018, passaria a chair por um ou dois anos, antes de deixar a empresa. Assim, poderia auxiliar Waldron – um amigo de longa data – a se estabelecer num cargo para o qual não parecia ter aptidão, mas que agora parece destinado a assumir.

John Waldron nasceu em 1969 em Cleveland, mas se mudou com a família para a Filadélfia aos 15. 

Nos tempos de escola, destacou-se nos esportes e principalmente na escrita, o que o levou a colaborar com o jornal estudantil e posteriormente fazer faculdade de Letras.

No Middlebury College, em Vermont, fez Inglês como major e Economia como minor, crente de que seria um escritor – uma percepção que só começou a mudar quando ele participou de um programa de verão voltado para negócios na University of Chicago.

Convencido de que poderia iniciar a carreira em Wall Street e depois alavancar uma mudança para a Corporate America, Waldron tentou entrar na Goldman logo depois de deixar a universidade. 

Foi rejeitado. 

“Não fui bem no teste de modelagem financeira,” o próprio disse em um podcast da Blackstone.

Ingressou então na Bear Stearns, onde se apaixonou de vez pelo mercado, assumiu desde cedo responsabilidades de relacionamento com clientes e conheceu David Solomon, seu grande parceiro profissional.

Solomon foi para a Goldman em 1999; Waldron, no ano seguinte. Escalaram o organograma do banco em áreas diferentes, até se tornarem co-heads do IB. Em 2018, assumiram, respectivamente, como CEO e COO.

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Solomon – “DJ Sol” nas horas vagas – começou com o pé esquerdo, depois que seu plano de expandir a carteira de crédito ao consumidor perdeu dinheiro para os acionistas.

Nos últimos anos, no entanto, a dupla focou esforços nos negócios core do banco – M&A, mercados e gestão de ativos e patrimônio. Também colocaram em prática “One Goldman Sachs”, uma estratégia para incentivar o cross-sell entre as unidades do banco.

Waldron, um negociador nato e agregador de pessoas, é tido como um dos grandes responsáveis pela melhora na comunicação interna e externa da Goldman, destacando-se na negociação de grandes operações e no relacionamento com clientes e entidades públicas e privadas, disse o WSJ.

Desde que chegou ao posto de COO, o executivo também tem ajudado a nutrir a nova geração de líderes da Goldman, servindo como interlocutor entre sócios e executivos e o board.

Na PF, Waldron é casado, tem seis filhos, mora no Upper West Side – e não é DJ nas horas vagas.

A ação da Goldman sobe 13% nos últimos 12 meses, comparado a uma alta de 5% no JP Morgan e 18% no Morgan Stanley. Desde que Solomon e Waldron assumiram, o banco quadruplicou de valor.

A Goldman vale US$ 263 bilhões na Bolsa.