A Irani planeja acelerar seus investimentos, apostando na demanda crescente por embalagens de papel e com a meta de dobrar sua participação de mercado em oito anos.
Num Investor Day hoje em São Paulo, a companhia vai anunciar o investimento de R$ 514 milhões para concluir a Plataforma Gaia – um ciclo de modernização industrial iniciado em 2020.
O Gaia XII – nome dado à 12ª fase do projeto – prevê a reforma da máquina de papel MP#7, uma nova caldeira de biomassa e a revitalização completa da unidade de Santa Luzia (MG).
Com esses aportes, a empresa espera elevar em 60% a capacidade produtiva da planta. Ao fim dessa última fase, o Projeto Gaia terá consumido R$ 1,8 bilhão em investimentos.

E a companhia já prepara um investimento ainda maior: a Plataforma Neos, que prevê duas novas plantas de embalagens sustentáveis e, mais adiante, uma nova máquina de papel reciclado integrada à operação.
A Irani disse que não divulgará o capex exato até uma aprovação formal do conselho, mas esses investimentos devem lhe permitir sair dos atuais 4% de share no mercado brasileiro de papelão ondulado para 8% até 2034, o CEO Odivan Cargnin disse ao Brazil Journal.
A primeira etapa será a construção da terceira planta de embalagens da companhia, provavelmente localizada no sul de Minas ou na região sudeste de São Paulo – áreas escolhidas pela proximidade com o principal polo consumidor do País e pela concentração da demanda de papelão ondulado.
A unidade terá capacidade de 120 mil toneladas por ano. Depois dela, a companhia prevê construir uma quarta planta a partir de 2030 e, mais adiante, uma nova máquina de papel reciclado integrada à operação.
No total, as duas plantas de embalagem devem adicionar 240 mil toneladas de capacidade – o que, segundo Odivan, seria suficiente para levar a Irani de 4% para 8% de participação de mercado.
“O Gaia foi muito mais otimização e modernização. Agora estamos preparados para um novo ciclo de crescimento, que deve envolver investimentos ainda maiores,” disse Odivan.
O executivo afirma que a demanda estrutural por embalagens sustentáveis continuará crescendo, impulsionada pelo avanço do ecommerce, pelo aumento da exportação brasileira de proteínas animais e pela substituição gradual de embalagens menos sustentáveis por papel e papelão.
Segundo dados apresentados pela companhia, o mercado brasileiro de papelão ondulado deve crescer quase 1 milhão de toneladas até 2034, mantendo apenas o ritmo histórico de expansão dos últimos dez anos – cerca de 2,5% ao ano.
“Esse é um número conservador: acreditamos que a demanda vai crescer ainda mais,” disse o CEO.
Odivan diz que apesar do aumento dos investimentos, a empresa não vai abrir mão da sua disciplina financeira.
Segundo ele, a Irani não vai ultrapassar o limite de 2,5x de alavancagem e deve ir atrás de instrumentos como green bonds e debêntures incentivadas. A companhia fechou o primeiro tri com 2,1x dívida líquida/EBITDA.
“Todas as opções estão à mesa, mas a ideia é continuar com a mesma política de pagamento de dividendos que estamos adotando nos últimos anos,” disse Odivan.
A Irani quer aproveitar o momento anticíclico para conseguir melhores preços em maquinários, o que ajuda a aliviar a pressão dos juros. “Investir agora também vai ser importante para estarmos preparados quando a demanda aumentar lá na frente.”
Segundo Odivan, a Irani não pretende fazer M&As. A única aquisição – a compra do controle da São Roberto – aconteceu em 2014, pouco antes da recessão de 2015 e 2016.
Além de coincidir com um dos momentos mais difíceis da economia brasileira, a operação reforçou internamente a visão de que aquisições carregam riscos de integração e timing macroeconômico difíceis de controlar.
Segundo o CEO, a experiência ajudou a moldar a estratégia atual: crescer organicamente, aproveitando a expansão estrutural do mercado de embalagens sustentáveis, em vez de apostar em aquisições.
O executivo citou um estudo da Booth School of Business, da Universidade de Chicago, mostrando que 41% do retorno total ao acionista (TSR, na sigla em inglês) das empresas com melhor performance do S&P 500 vieram de crescimento orgânico orientado pela demanda, contra apenas 11% atribuídos a M&A.
Sobre as paralisações temporárias nas plantas ocorridas no primeiro tri, que impactaram os resultados, Odivan disse que tudo já foi resolvido ao longo de maio.
A ação da Irani sobe 2,6% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 1,8 bilhão na Bolsa.











