O Opportunity e a 4UM Investimentos começaram no setor de rodovias como rivais, mas o relacionamento evoluiu para uma parceria e acabou em casamento com a criação da Nova Rodovias.

A JV entre a gestora de Daniel Dantas, Veronica Dantas e Dório Ferman e o veículo de investimentos da família J. Malucelli já tem duas concessões e agora avalia mais projetos, buscando se aproximar das gigantes do setor, como a Motiva e EcoRodovias.

“Queremos nos consolidar. Vou te dizer que tem dois ou três projetos que estamos estudando que, se a gente ganhar, vamos estar entre os quatro maiores em termos de extensão rodoviária,” Marcelo Stachow, o CEO da Nova Rodovias, disse ao Brazil Journal.

“O céu é o limite. Queremos crescer bastante. Obviamente, estamos ainda distantes do que é uma Motiva, EcoRodovias. Mas essa distância só vai diminuir. Nos próximos quatro, cinco anos… nós vamos tirar a diferença.” 

Em sua estreia no aquecido setor de rodovias, em um leilão em agosto de 2024, o Opportunity perdeu para a também novata 4UM a disputa por um trecho de 303 km da BR-381, em Minas Gerais – a “Rodovia da Morte” – com investimentos previstos de R$ 9 bilhões.

Em fevereiro do ano passado, os ex-concorrentes se uniram em um consórcio e levaram um trecho de 686 km da BR-364, em Rondônia, com investimento total de R$ 10,2 bilhões.

Poucos meses depois, os grupos juntaram os seus ativos no setor e aceleraram seus desembolsos, antecipando obras – e as cobranças de pedágios – em suas duas concessões. 

“Na 381, em Minas, com sete meses de assinatura do contrato já estávamos cobrando pedágio, em Rondônia com seis meses. Hoje já estamos com VDM (volume diário médio) de praticamente 105 mil veículos, e mais de 70% é caminhão,” disse Marcelo.

Agora, a Nova Rodovias se prepara para os seus próximos projetos. A estratégia é focar concessões federais ou estaduais com necessidade pesada de investimentos e fora dos grandes centros, em novas fronteiras e áreas agrícolas.

“Nossa vantagem está exatamente nessas condições de grandes capex, pelo nosso potencial de levantar funding grande. Temos financiabilidade pela solidez e liquidez dos grupos econômicos envolvidos,” disse o CEO.

Entre os potenciais alvos no curto prazo estão projetos em Santa Catarina, Bahia e a otimização da Rota Arco Norte, trecho da BR-163 entre Mato Grosso e Pará. 

Também estão na mira concessões próximas a Rondônia e na região do agro conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que o ministro dos Transportes, George Santoro, tem sinalizado para uma carteira de leilões que sua gestão quer deixar pronta para o próximo Governo, a partir de 2027.

“Do que está vindo aí no pacote federal, até o final do ano, temos potencial de entrar realmente em pelo menos dois grandes projetos. Já estamos estudando, tem gente em campo trabalhando,” disse Marcelo. 

O executivo acredita que as eleições presidenciais deste ano não vão afetar o ritmo atual de expansão das rodovias, negócio que ele vê entrando em um ciclo virtuoso.

“Faz 27 anos que trabalho com concessão. E nunca vi um mundo como esse que nós estamos vivendo. É uma coisa extraordinária. O País precisava disso. Acho que se reprimiu muito tempo essa agenda, e agora ela está vindo com força total. Se existe uma dificuldade é que geralmente vai faltar recurso, mão de obra, equipamento, porque a demanda é gigantesca,” disse.

Uma das estratégias da Nova Rodovias para reduzir gargalos com pessoal e acelerar seus projetos nessa conjuntura é a aposta em 100% de pedágios free flow em suas concessões, evitando obras de praças de pedágio e a necessidade de contratar funcionários para ficar nas cabines. 

Segundo Marcelo, os níveis de evasão do pedágio, mesmo sem cancelas, têm ficado abaixo do previsto, em torno de 6% a 7% nas concessões da empresa – e cerca de 80% da arrecadação já ocorre por meio de tags de cobrança automatizada. 

Os apps para pagamento de pedágio da empresa já têm cerca de 600 mil downloads.

“Agora.. sempre vai ter quem não vai pagar. É o cara que já não paga o IPVA, não paga nada, você pode mandar mil multas pra ele. Mas é um percentual pequeno, o bônus do free flow é infinitamente maior que o ônus,” disse.