A IBM desabou 25% hoje, no maior tombo de sua história centenária, depois de a companhia apresentar resultados preliminares abaixo do esperado.
A explicação? O dinheiro de seus clientes corporativos está migrando para nuvens de AI, reduzindo os gastos com serviços de software.
O CEO da IBM, Arvind Krishna, afirmou em uma carta aos investidores que a empresa esperava sentir o impacto de problemas na cadeia de fornecedores. Mas não previu que seus clientes também acabariam desviando seus gastos para a compra de servidores, armazenamento e memória, como forma de se proteger contra novos aumentos de preços.
“O que aconteceu foi pior do que nossas expectativas,” disse Krishna. “Essas condições exigem uma execução perfeita por parte de nossas equipes, e, neste trimestre, falhamos. Não nos adaptamos nem agimos com rapidez suficiente, e grandes negócios não foram fechados nos prazos previstos.”

Os números preliminares para o trimestre mostraram uma receita de US$ 17,2 bilhões, ficando abaixo do consenso dos analistas, que era de US$ 17,9 bilhões.
As vendas da divisão de infraestrutura tiveram uma queda de 7%. Os resultados completos ainda estão sob revisão e serão divulgados na próxima semana.
A IBM vem nos últimos anos se reposicionando como uma empresa de software em áreas de rápido crescimento. Fez parte dessa estratégia a aquisição de companhias como Red Hat e HashiCorp. Mas os produtos e serviços dessas empresas competem agora com agentes de AI de Anthropic e OpenAI.
Como resumiu a newsletter do podcast de tecnologia TBPN, os investimentos em AI estão sendo direcionados majoritariamente para GPUs, chips de memória e hyperscalers – os grandes provedores de nuvem para inteligência artificial. A IBM não aparece entre os principais beneficiários em nenhuma dessas categorias.
Não deverá ser um caso isolado. Outras empresas de software também deverão ter seus resultados afetados pela mesma tendência.
“Os gastos discricionários com TI estão piorando e provavelmente serão o tema principal para a maioria das empresas de software na apresentação de seus resultados,” disse Anurag Rana, analista da Bloomberg Intelligence.
Fundada em 1911, a IBM já passou por vários turnarounds. Nos anos 1990, fez uma bem-sucedida transição para serviços de consultoria e foco em clientes corporativos, saindo do mercado de PCs.
Lou Gerstner Jr., o CEO daquele período, publicaria anos depois o livro Quem disse que os elefantes não dançam?, no qual conta os bastidores da recuperação.
Agora as apostas da IBM para o seu futuro são computação quântica e novos serviços de software. A receita da plataforma Red Hat cresceu 11% no trimestre.
“Embora o desempenho no trimestre tenha ficado abaixo de nossas expectativas, estamos convictos da força de nosso portfólio e da transformação estratégica de nossos negócios”, afirmou Krishna.
Será que o elefante de 115 anos continuará dançando?






