A Moove – a startup nigeriana investida do Uber que adquiriu a brasileira Kovi há um ano – acaba de levantar US$ 250 milhões a um valuation de US$ 2,1 bilhões, capitalizando-se para pisar no acelerador em sua estratégia de operar frotas de carros autônomos em parceria com a Waymo, controlada pela Alphabet.
A Série C foi coliderada pelo Mubadala, que já era investidor da empresa; pela Woven Capital, o corporate venture capital da Toyota; e pela americana Ion Pacific.
Também participaram a BlueCrest Capital e a Sona Capital, além de investidores como Uber, BlackRock, Franklin Templeton e Left Lane. Todos já estavam no cap table.
A vasta maioria dos recursos será usada para financiar os planos de expansão da Moove no mercado de carros autônomos.
A startup recentemente fechou parcerias exclusivas de longo prazo com a Waymo para operar suas frotas de carros autônomos em Miami, Phoenix e Londres (onde a operação deve começar já no quarto tri deste ano).
Com a rodada, o plano é expandir para mais cidades – os nomes serão anunciados nos próximos meses – o que vai demandar um investimento massivo em infraestrutura.

“Além de comprar os carros da Waymo, temos que ter vários armazéns, onde os carros chegam e onde são feitas as inspeções, uma infraestrutura de carregamento muito robusta, um time para fazer as manutenções, e um time focado em fechar parcerias e em liderar as discussões regulatórias,” Adhemar Milani Neto, o fundador da Kovi e que hoje faz parte do conselho global da Moove, disse ao Brazil Journal.
“Também temos que ter uma camada grande de tecnologia que se conecta com os carros autônomos para fazer toda a gestão logística, das manutenções e avaliar a demanda de cada cidade. É como se fossemos os data centers para a mobilidade urbana.”
Após a aquisição pela Moove, que foi feita por meio de uma troca de ações, o bloco de acionistas da Kovi passou a ter cerca de 25% do capital da Moove, tornando-se o maior acionista em conjunto da empresa.
Além de fazer parte do conselho, Adhemar lidera a operação brasileira, que responde por cerca de 40% da receita da Moove, ou US$ 200 milhões de um total de US$ 430 milhões.
A entrada no mercado de carros autônomos é a aposta mais recente da Moove, fundada em 2019 com a estratégia de financiar carros para motoristas de aplicativos como Uber e Lyft.
Enquanto a Kovi sempre operou no Brasil com um modelo asset light, fazendo o leasing dos automóveis e sublocando aos motoristas, a Moove opera em 13 países comprando os carros e vendendo aos motoristas com um financiamento pago com a receita das corridas.
Segundo Adhemar, a decisão de entrar nos carros autônomos tem a ver com a visão de que o mercado inteiro deve caminhar para esse modelo.
“Daqui uns 20 anos acho que todos os carros de aplicativos de viagem serão autônomos. É um caminho sem volta. A tecnologia está evoluindo muito rápido e ela torna as viagens mais baratas e seguras. O que estamos fazendo é nos posicionar para esse futuro,” disse ele.
O mercado de carros autônomos ainda está muito concentrado na China e nos EUA, onde Uber e Lyft também já começaram a oferecer viagens com os chamados robotáxis em parceria com várias empresas (incluindo a própria Waymo).
Há ainda operações de pequena escala nos Emirados Árabes e Arábia Saudita, e testes sendo feitos pela Waymo no Reino Unido e Japão.
No Brasil, a chegada dos autônomos ainda é uma realidade distante, na visão de Adhemar.

“Acho que ainda deve levar uns 5 a 10 anos, porque o Brasil tem peculiaridades que tornam mais difícil a operação desses carros,” disse ele. “A condição do trânsito é muito complexa, com muitas motos e um desrespeito às regras que torna bem difícil para um carro autônomo operar. Além disso, acho que a regulamentação seria um desafio grande.”
A operação da Moove no Brasil atingiu o breakeven no final do ano passado, e está fazendo um EBITDA de cerca de US$ 75 milhões. A meta é que até o final deste ano todos os demais países – com exceção do negócio de carros autônomos – já tenham atingido o breakeven.
A empresa pretende fazer um IPO nos Estados Unidos num horizonte de cinco anos, mas pode precisar de mais uma rodada antes disso, dado o tamanho do mercado de carros autônomos e os investimentos necessários.
“Toda grande revolução tecnológica acaba se tornando uma corrida por infraestrutura. A internet precisou de data centers. A AI, de capacidade computacional. Já os carros autônomos exigem frotas, estações de recarga, manutenção, sistemas de dados e operações 24 horas por dia, 7 dias por semana, em cada cidade — e é isso que a Moove está construindo,” disse o CEO e fundador da Moove, Ladi Delano.
“Na nossa visão, à medida que os carros autônomos ganharem escala, a propriedade e a operação dessa infraestrutura é o que vai definir os líderes do setor. Estamos construindo a empresa para ser um desses líderes.”
SAIBA MAIS
Como a Waymo está batendo a Tesla em autônomos – e pode tirar share do Uber e Lyft











