O Parlamento francês aprovou uma lei para multar as varejistas de ultrafast fashion, como a Shein, e marketplaces como a Temu.

Discutida desde 2024, a legislação visa controlar o impacto ambiental das “roupas descartáveis” vendidas por estas empresas e proteger a indústria local.

No entanto, justamente pela necessidade de isentar grandes marcas europeias (como a Zara e a Decathlon) da medida, há quem diga que a lei foi desconfigurada e não terá o impacto desejado.

Assim como no resto do mundo, as ‘blusinhas’ da Shein inundaram os mercados europeu e francês nos últimos anos, gerando temores ambientais e de concorrência.

Diante dos clamores da indústria têxtil, o Parlamento francês decidiu regulamentar o setor – mas precisou de dois anos para chegar a uma solução que não impactasse as empresas locais, que também produzem roupas em grande escala na Ásia.

Assim, o que era para ser uma legislação contra as empresas de fast fashion passou a ter como alvo os negócios de ultrafast fashion, cuja definição é: marcas que lançam grandes volumes de novos produtos em curtos períodos de tempo, a preços muito abaixo do custo de reparo.

O racional é que preços muito baixos fazem com que as pessoas deixem de consertar roupas usadas, incentivando o desperdício.

As empresas que forem enquadradas nesta categoria pagarão inicialmente uma “multa ecológica” de € 0,25 até € 6 por produto, podendo chegar a € 10 por item até 2030, disse o governo francês. 

Os valores serão transferidos para a organização de economia circular Refashion, que coleta e reforma roupas e calçados usados para lhes dar uma segunda vida.

A contragosto da Comissão Europeia, os parlamentares franceses também proibiram que as marcas ultrafast fashion realizem publicidade e ações com influenciadores no país.

Os critérios finais da legislação serão divulgados nos próximos dias pelo governo. As regras também precisarão da sanção do Presidente Emmanuel Macron para entrarem em vigor.

Outros países da União Europeia, como a Itália, também têm entrado em rota de colisão com as vendedoras de ‘blusinhas’. 

O governo de Giorgia Meloni pretende criar uma classificação ambiental para as roupas vendidas no país e restringir a publicidade de empresas de ultrafast fashion.

No âmbito da UE, entra em vigor amanhã uma taxação de € 3 para pequenas encomendas vindas de fora do bloco. Antes, pacotes de até € 150 eram isentos de impostos.