5 de maio, 2026
A inteligência artificial já começou a redesenhar a saúde – mas, por enquanto, ainda está mais no campo do potencial do que da transformação plena.
Esse foi o pano de fundo do painel da Health Conference do Brazil Journal que reuniu Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde do Ministério da Saúde Digital; Fernando Ganem, diretor-médico do Sírio Libanês; Alexandre Chiavegatto Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP; e Luccas Adib, CFO e VP de tecnologia da Hapvida.
Pelo lado do setor público, Ana Estela destacou que o Brasil já construiu uma base relevante para essa virada, especialmente em relação aos dados – mas que ainda são pouco explorados.
O SUS realiza cerca de 2,8 bilhões de atendimentos por ano e gera um volume massivo de dados, mas “a gente ainda usa muito pouco dos dados que produz” .
No setor privado, a aplicação prática da tecnologia já aparece – ainda que de forma mais incremental do que revolucionária.
No Hospital Sírio-Libanês, a estratégia de inovação migrou de projetos centralizados para soluções “de baixo para cima”, focadas em problemas do dia a dia, como redução de burocracia, apoio à decisão e eficiência operacional.
Já na Hapvida, o uso de modelos mais simples – como regressões para dimensionar equipes médicas – vem gerando ganhos relevantes, reforçando a ideia de que nem toda inovação precisa ser sofisticada para ser efetiva.
Mas o consenso do painel foi que a grande onda ainda está por vir.
“O tsunami da inteligência artificial ainda não chegou à saúde, mas vai chegar,” disse Chiavegatto.