A regulação da saúde suplementar ficou “estreita demais”, focada em resolver “disputas contratuais” e produzir “respostas fragmentadas” em vez de atacar de frente os problemas do setor, disse Wadih Damous, o presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS).
“O próximo passo exige um deslocamento do centro da regulação, dos atos isolados, para a cadeia de cuidados com os pacientes,” Damous disse durante a Health Conference promovida pelo Brazil Journal na manhã de hoje em São Paulo.

A ANS ficou quase nove meses sem um presidente antes de Damous assumir o cargo em setembro. Agora, a agência trabalha para fechar a agenda regulatória de 2026 a 2028, em meio a discussões com o setor privado.
Ainda que o tema seja urgente, nenhum executivo de operadora presente no evento espera soluções rápidas – especialmente num ano eleitoral.
“Não existe resposta única nem bala de prata. É preciso envolver e alinhar todos que fazem parte dessa cadeia entendendo que o recurso é finito,” disse Raquel Reis, a CEO da SulAmérica, num painel em que debateu o assunto com Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, e Thais Jorge, a diretora médica da Bradesco Saúde.

“O setor vive uma crise de identidade, de como equilibrar acesso, custo e qualidade assistencial,” disse Thais.
Em outro painel, Daniel Pereira, diretor da Anvisa, disse que a agência deve liberar ainda neste semestre a comercialização de medicamentos genéricos ou similares à base de semaglutida (a patente expirou em março).
A EMS – que investiu numa nova fábrica para produzir esses medicamentos no País – montou uma força-tarefa para começar a distribuir as canetas 60 dias depois de receber o aval da Anvisa, disse Marcus Sanchez, vice-presidente da farmacêutica fundada pela sua família.
“Por questões concorrenciais, o preço só será revelado perto do lançamento, mas posso antecipar que chegaremos proporcionando acesso,” disse Sanchez.

Jeane Tsutsui, a CEO do Fleury, lembrou que as canetas ajudam, mas não bastam. O tratamento adequado, associado a mudanças de estilo de vida, reduz doenças e aumenta a longevidade, disse ela. “Não é uma questão de estética, é uma questão de saúde.”
Num painel sobre inteligência artificial e acesso à saúde, Ana Estela Haddad, a secretária de informação e saúde digital do Ministério da Saúde, falou sobre as iniciativas para integrar as informações do sistema público e da saúde suplementar.
“Ainda usamos muito pouco os dados que produzimos,” disse ela.
Fernando Ganem, diretor-médico do hospital Sírio Libanês, Alexandre Chiavegatto Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, e Luccas Adib, o CEO da Hapvida, falaram sobre como a AI deve ser uma ferramenta pragmática para resolver problemas e não um fim em si mesma.
Os vídeos com todos os painéis serão publicados nos próximos dias no site e no YouTube do Brazil Journal.











