A ação da Natura – que havia passado praticamente incólume à realização da Bolsa nos últimos meses – teve uma das maiores baixas do mercado ontem, de 5,7%, e cai mais 2% hoje — a segunda maior perda do Ibovespa. 

Na ausência de um fato novo para explicar a queda, o mercado especula se a movimentação do papel pode ter a ver com o compromisso de compra da Advent.

Em março, a gestora de private equity se comprometeu a comprar de 8% a 10% do capital da Natura em uma ou mais transações a mercado, a um preço médio de R$ 9,75, e num período de seis meses. 

Segundo o fato relevante, a proposta pode ser cancelada se o preço médio da ação superar R$ 9,75 nos três meses seguintes à assinatura do contrato – ou seja, até 30 de junho. 

A ação tem negociado acima desse patamar – inclusive, ficou acima de R$ 10 durante abril e parte de maio. Nas contas de um analista, o papel teria de custar até R$ 8,60 por dia até 30 de junho para o preço médio ficar abaixo de R$ 9,75 nesses três meses. 

A ação negocia hoje em torno de R$ 8,50. 

“Nesse preço, a Advent deveria estar comprando,” diz um analista do buyside. “Se desistir, não vai ser por uma conta matemática. Vai ser porque viu algum problema que não estava mapeado antes. É isso que me preocuparia.”

O macro brasileiro tem se deteriorado, com uma expectativa menor de corte de juros e o alto endividamento da população.

Mas, na visão de analistas, o grande desafio da Natura é o micro. A empresa simplificou a operação, com a venda de diversos negócios, e reduziu a alavancagem. A expectativa é como fará para voltar a crescer e recuperar market share

Se a Advent comprar de 8% a 10% do capital, poderá indicar dois conselheiros adicionais, e contribuir nas decisões sobre alocação de capital e alinhamento de remuneração do C-Level com métricas de geração de valor para os acionistas. 

“A entrada ou não da Advent não muda a tese da Natura de forma substancial. O cenário é desafiador, mas a ação está barata e a empresa tem valor mesmo sem isso,” disse um analista do sellside que tem recomendação de compra para o papel.

A ação negocia a 8x o lucro para 2027.