Estre encontra investidores globais para explicar fusão

A Estre Ambiental começa hoje um roadshow internacional para educar os investidores e gerar demanda pelo seu papel antes do ‘closing' de sua fusão com a Boulevard Acquisition Corp. II, anunciada em meados de agosto.

Como explicamos aqui, aquela fusão vai capitalizar a Estre em US$ 370 milhões, listar a companhia na Nasdaq e retomar sua capacidade de fazer aquisições.

Na semana passada, a empresa de resíduos já se reuniu com gestores brasileiros num rodada organizada pelo BTG.

O roadshow internacional começa hoje em Nova York e vai a Boston na quinta-feira. Na semana que vem, a companhia vai a Londres e Toronto, volta a NY para a BTG Conference, e em seguida ruma oeste para Chicago e Califórnia. Uma segunda visita a Londres está marcada para o dia 9.

O roadshow tem sido uma oportunidade para o CEO Sérgio Pedreiro explicar não apenas os fundamentos da indústria de lixo — que nunca teve uma empresa brasileira listada — mas também como funciona a fusão com um SPAC, a sigla em inglês para 'veículo de aquisição de propósito específico’.

Neste momento, a Estre está trabalhando para transformar o prospecto inicial eviado à SEC no que o regulador americano chama de ‘prospecto efetivo’. A SEC tem até o final de outubro para fazer seus comentários e aprovar a versão final.

A partir daí, a empresa tem que dar 10 dias para os atuais acionistas da Boulevard lerem o material antes de comparecerem à assembleia de acionistas.

Na assembleia, os acionistas da Boulevard serão chamados a aprovar ou rejeitar a fusão com a Estre. Para a aprovação, mais de 50% do capital da companhia precisam votar a favor.

Uma vez que a transação seja aprovada, o acionista tem dois dias para decidir se fica na Boulevard ou se exerce seu direito de recesso contra o SPAC, recebendo de volta os US$ 10 por ação que investiu em setembro de 2015.

Só após a conclusão deste processo — esperado para meados de novembro — é que as ações da Boulevard/Estre devem ganhar liquidez e mudar de patamar.

Hoje, um investidor que esteja disposto a montar uma posição de, por exemplo, US$ 5 milhões no papel, provavelmente não conseguiria fazê-lo. O investidor deve ligar para o Citigroup que, por ter coordenado o IPO do SPAC em 2015, detém o relacionamento com os investidores.

O Citi tentará fazer transações ‘diretas’, casando ordens de compra e venda. (A Boulevard negocia sob o símbolo ‘BLVD’)

Por outro lado, o risco de que o negócio não feche por qualquer motivo e o direito de recesso a US$ 10/ação tendem a inibir ofertas muito acima deste preço, o que possivelmente manterá a ação ao redor do preço atual pelo próximo mês e meio.

Um investidor que comprar a Boulevard a US$ 10 estará pagando 7,7x EV/EBITDA para investir na Estre, a maior empresa de serviços ambientais do País. As duas maiores companhias do ramo nos EUA — a Republic Services e a Waste Management — negociam pouco acima de 10x EV/EBITDA.