O sistema financeiro aguarda a publicação das novas regras de liquidez para bancos de menor porte, colocadas em consulta pública pelo Banco Central no fim do ano passado.
O objetivo é garantir que os bancos formem uma reserva de ativos líquidos que possa ser usada em momentos de stress para cumprir suas obrigações – e assim “preservar a estabilidade do sistema financeiro,” segundo o BC. Tradução: impedir que um caso como o do Banco Master se repita.
“Uma das grandes lições da quebra do Master é que é preciso olhar a qualidade do ativo das instituições,” Leandro Vilain, o CEO da ABBC, que reúne os bancos de médio porte, disse ao Brazil Journal.
Na consulta pública encerrada em novembro, o BC recebeu sugestões à proposta de estender a aplicação do LCR, um índice de liquidez de curto prazo, a instituições classificadas como S2 – aquelas cujos ativos respondem por 1% a 10% do PIB.

Hoje, esse índice vale apenas para os bancos S1, cujos ativos são iguais ou superiores a 10% do PIB.
O BC também avalia criar o LCRS, um indicador simplificado para as instituições S3 (o caso do Master) e S4 que captarem recursos via depósitos e emissão de títulos.
As instituições S3 são aquelas cujos ativos respondem por 0,1% e 1% do PIB. No caso das S4, os ativos são inferiores a 0,1% do PIB.
Esse índice de liquidez é uma razão entre o estoque de “Ativos Líquidos de Alta Qualidade” e as saídas líquidas de caixa previstas para um período de 30 dias.
A diferença entre o LCR e LCRs são simplificações no cálculo, segundo o BC. A metodologia é a mesma.
O BC considera ativos de alta qualidade, entre outros: dinheiro em espécie, reservas livres no Banco Central, reservas compulsórias relativas à poupança, depósitos à vista e a prazo e títulos públicos federais de curto prazo.
O BC propôs um enquadramento de 80% a partir de julho deste ano – ou seja, nesse prazo, os ativos de alta qualidade deveriam ser suficientes para fazer frente a 80% das saídas de caixa em 30 dias.
O percentual subiria para 90% em janeiro e chegaria a 100% em julho de 2027.
Vilain, da ABBC, defende que o Fundo Garantidor de Crédito tenha acesso aos dados do LCR e possa abrir essas informações aos investidores, permitindo uma melhor avaliação do risco de cada banco. “Transparência só ajuda,” diz ele.











