A SpaceX está apanhando na Bolsa depois de apresentar seu primeiro resultado como companhia aberta.
Ainda que as receitas da empresa de internet por satélite, AI e foguetes tenham surpreendido positivamente, os investimentos crescentes em AI e as ideias e projeções grandiosas (demais?) do management não agradaram os investidores.
A ação da companhia de Elon Musk recua 10% em Nova York para US$ 115 – uma queda de 15% em relação ao pricing do IPO (US$ 135) e de 40% em relação ao high de US$ 185 do papel em 18 de junho.

A noite da SpaceX até começou bem: a empresa reportou receitas de US$ 7,8 bilhões, acima dos US$ 6,8 bi esperados por analistas consultados pela Bloomberg; e US$ 0,09 de prejuízo por ação, enquanto investidores esperavam uma perda de US$ 0,24 por papel. A Starlink, o negócio que atualmente sustenta a holding, lucrou US$ 1,6 bi, um aumento de 80% ano contra ano.
Depois do headline, a apresentação foi ladeira abaixo.
Definitivamente não ajudou o fato de que Musk e companhia queimaram o dobro do caixa que fizeram no tri (US$ 16 bilhões), principalmente construindo infraestrutura de AI. A xAI teve prejuízo de US$ 1,2 bi.
Graças ao frenesi provocado pelas Big Techs, o mercado parece cada vez mais sensível e menos paciente com este tipo de capex galopante – e a situação da SpaceX é pior do que a dos seus pares. Entre as empresas de tech, ela é a que aloca o maior percentual do fluxo de caixa em investimentos do tipo, disse o site The Information.
Além disso, os planos e projeções da empresa estão ficando cada vez mais difíceis de digerir agora que os analistas precisam colocá-los em suas planilhas.
Em call com investidores, Musk afirmou que espera atingir um faturamento anual recorrente de US$ 1 trilhão até 2030, um ano antes da já megaotimista projeção que constava no prospecto pré-IPO da empresa. Para este ano, a empresa espera chegar a US$ 100 bi.
“A receita anual recorrente de US$ 100 bilhões em dezembro não é uma dúvida,” disse Musk. “Isso é o que alcançaríamos mesmo sem fazer praticamente nada.”
O consenso da Bloomberg está em US$ 36,5 bi atualmente e a SpaceX acumulou US$ 12,5 bi em receitas de janeiro a junho deste ano.
Enquanto isso, a Starlink, de novo, o único negócio lucrativo da empresa, está criando um serviço móvel que deve ser lançado no fim do ano que vem e deve “conquistar uma boa parte” dos clientes das operadoras de telecom dos EUA, segundo a chefe da vertical, Gwynne Shotwell.
Musk disse que a conectividade de dispositivos com AI vai sobrecarregar as provedoras de banda larga no futuro – e a Starlink estará pronta para absorver a demanda.
Mas será que Musk consegue construir mais capacidade de AI e uma telecom ao mesmo tempo? Hoje o mercado parece opinar que não.
“Os investidores parecem pouco impressionados (ou talvez impressionados demais?) com todas essas grandes promessas,” resume o The Information.
Isso sem falar dos planos de lançar data centers no espaço e viajar para outros planetas, cuja vertical teve um prejuízo de US$ 542 milhões no tri.
A pressão sobre a ação da SpaceX se explica ainda pelo fato de que mais de US$ 100 bilhões em ações de investidores pré-IPO ficarão disponíveis para venda nesta semana. E o mercado também aguarda mais informações sobre uma possível fusão entre a SpaceX e a Tesla.
Musk tem feito um péssimo trabalho em desmentir o boato nos últimos meses – pelo contrário, ele afirma que as empresas estão trabalhando cada vez mais juntas.
Apesar de todos os questionamentos e do discurso não ter agradado dessa vez, o empresário segue gozando de uma ótima reputação no mercado por conta do seu track record de inovação.
Ao que parece, serão necessárias ideias ainda mais caras e complexas para Musk perder alguma moral com os investidores. Se é que vai.
A SpaceX, que chegou a perder US$ 1 trilhão em valor de mercado depois do IPO, vale US$ 1,48 tri na Bolsa.











