A OceanPact acaba de anunciar que está se fundindo com a CBO Offshore, numa transação que dará origem à segunda maior empresa de serviços marítimos para a indústria de petróleo do Brasil e a quinta maior do mundo.

A transação foi estruturada como uma troca de ações, com os acionistas da CBO ficando com cerca de 57% da nova empresa, enquanto os acionistas da OceanPact ficarão com 43%.

Os principais acionistas da OceanPact são o fundador e CEO Flavio Andrade, com 30% do capital, a gestora Dynamo, com 12,3%, os executivos da companhia, com 9,5%, e a Hix Capital, com 7,5%.

Já na CBO, os maiores acionistas são a Vinci Partners e o Pátria Investimentos, com 38% cada, seguidas pelo BNDESPar, que tem 18%, e um grupo de acionistas italianos que veio de um dos M&As da empresa. 

A transação dá origem a uma empresa com faturamento de R$ 4 bilhões e EBITDA de quase R$ 1,8 bi. A alavancagem será de 2,6x EBITDA, acima da alavancagem atual da OceanPact, de 1,7x.

A frota combinada das duas empresas será de 73 navios, posicionando a companhia como a segunda maior empresa do setor no Brasil, atrás apenas da americana Edison Chouest, que tem 78 navios no País. 

Uma fonte envolvida na transação disse ao Brazil Journal que “as duas empresas estão num momento operacional muito forte, com resultados consistentes e desalavancando muito, e têm culturas complementares.”

Enquanto a OceanPact é muito forte na parte comercial, mantendo um índice de ociosidade dos navios muito baixo, a CBO é reconhecida por sua excelência operacional, que é medida pelo tempo em que a frota fica indisponível. “Combinar essas duas fortalezas vai criar uma empresa muito forte,” disse a fonte que participou da transação.

Há ainda sinergias no uso dos ativos. A OceanPact tem crescido muito em outros serviços para o setor de petróleo, como o descomissionamento das plataformas, e parte da frota da CBO poderá ser usada para essa vertical. 

A OceanPact e a CBO oferecem diferentes tipos de serviços para as empresas de petróleo que operam no mar. Elas têm desde navios de carga geral, conhecidos como os “caminhões do mar”, que transportam todo tipo de insumos e ferramentas, até os chamados navios de ancoragem, usados para manter as plataformas de águas profundas ancoradas no local correto. 

Há ainda os chamados Oil Spill Response Vessels (OSRVs), navios que são acionados no caso de vazamentos de óleo.

Segundo outra fonte, a fusão entre as duas empresas é discutida desde o IPO da OceanPact em 2021. “Mas o momento nunca foi o ideal. Agora foi o momento certo porque as duas estão indo muito bem, conseguindo desalavancar sozinhas, então não vai ter a imagem de uma empresa salvando a outra.”

O timing também é estratégico dado o crescimento da concorrência no setor. Novos players têm mirado o Brasil, atraídos pelo potencial de exploração de petróleo, principalmente na Margem Equatorial. 

Na segunda-feira, por exemplo, a americana TideWater, a maior empresa de serviços marítimos do mundo, anunciou a compra de mais de 20 navios que pertenciam à Wilson Sons, colocando um primeiro pé nas águas brasileiras. 

Flávio, o fundador da OceanPact, continuará como CEO da nova empresa. O atual CFO da OceanPact, Eduardo de Toledo, também se manterá na função, enquanto o CEO da CBO, Marcos Tinti, vai liderar a operação de navegação.

O Itaú BBA assessorou a OceanPact, que trabalhou com o Trindade Advogados. 

A CBO não teve assessores financeiros, e trabalhou com o Mattos Filho.

A OceanPact vale R$ 1,9 bilhão na B3, com sua ação subindo 71% nos últimos 12 meses.