O Nubank lucrou US$ 1,1 bilhão entre abril e junho, seu melhor resultado trimestral até agora.

O número ficou 10% acima do consenso e representa um crescimento de 17% frente aos três meses anteriores e de 49% na comparação anual.

O ROE chegou a 33%, acima dos 29% do trimestre anterior e dos 28% registrados há um ano. A ação sobe cerca de 9% no after market.

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O resultado se deve à combinação da queda do custo de crédito com o aumento da margem financeira (NIM), o CFO Rob Livingston disse ao Brazil Journal. 

“Quando esses indicadores trabalham juntos, é mágico,” afirmou o executivo, que assumiu em junho.

A margem financeira ajustada ao risco – a métrica acompanhada pelo banco – aumentou de 9,5% no primeiro tri para 12,4% de abril a junho.

O custo do crédito caiu 9% no sequencial para US$ 1,7 bilhão – ligeiramente abaixo do consenso de US$ 1,78 bilhão. O programa Desenrola, segundo o CFO, teve um impacto de apenas 5% nesse custo.

Mas a carteira de crédito cresceu num ritmo menor, 5% no tri a tri – abaixo dos 8% projetados pelo sellside – e chegou a US$ 39,4 bilhões.

Segundo Livingston, foi um trimestre de ajuste – “uma normalização sequencial” –, porque os dois trimestres anteriores foram mais fortes que o previsto em razão do lançamento de produtos e modelos de crédito. 

Na comparação anual, a carteira cresceu 37%.

A inadimplência de 15 a 90 dias caiu para 4,8%, frente aos 5% do primeiro tri. Mas a taxa acima de 90 dias aumentou de 6,5% para 6,9% nesse intervalo.

Livingston atribuiu esse aumento do NPL 90+ a efeitos sazonais, com atrasos que migraram do primeiro trimestre. “Não vemos nenhum sinal de deterioração no nosso portfólio,” afirmou.

“Operamos desde o Dia 1 com a premissa de que uma recessão pode começar amanhã. Somos conservadores ao originar crédito para suportar pioras nas métricas de risco e ainda assim sermos lucrativos.”

A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) também foi recorde, de US$ 17,10 – acima da estimativa de US$ 16,60 do sellside

O índice de eficiência – a relação entre despesas e receitas – piorou: aumentou para 19,5%, ante os 17,6% no primeiro tri. Com isso, ficou acima do consenso de 19,2%.

Esta alta era esperada, disse Livingston, em razão de gastos maiores com internacionalização e marketing. Ele reiterou o guidance de 20% para o ano.

Livingston destacou também o breakeven da operação mexicana – que chegou a 16 milhões de clientes em julho (o Nubank tem 139 milhões de clientes globalmente).

O banco atende 16,5% da população adulta do México – índice comparável ao do Brasil em 2020. Mas a monetização, lá, tem vindo antes, com um ARPAC de US$ 12,30 ante os US$ 5,60 no Brasil no mesmo estágio.  

“Não esperaria que o México se mantenha lucrativo nos próximos trimestres, porque vamos investir muito mais pesadamente nesse mercado,” disse o CFO.

O Nubank vale US$ 67 bilhões na NYSE. A ação sobe 13% em 12 meses, mas cai 18% neste ano.