Thalita Rebouças diz que escolheu ser feliz. Autora de 27 livros, jornalista, atriz, roteirista e fenômeno de público, ela passou a vida fazendo da leveza uma forma de trabalho — e é a convidada deste episódio de The Business of Life, apresentado por Nilton Bonder. Em 25 anos de carreira, já vendeu mais de 2,3 milhões de exemplares.
A conversa acontece em sua “casa da árvore”, como ela chama o novo espaço de escrita que montou em casa — um ambiente lúdico, cercado de verde, que remete à infância. Thalita escreve onde dá. “eu escrevo muito em aeroporto, escrevo muito em avião, viajando, escrevo muito no chão,” diz.
Carioca, Thalita começou ainda criança a fazer seus próprios livrinhos. “Sou filha única, sou neta única, mas sou legal,” diz. O avô lia para ela antes de dormir. O encanto, para ela, não estava apenas em mergulhar nas histórias, mas em imaginar quem as criava. “Caramba, que legal deve ser inventar essas pessoas,” diz.
Na adolescência, passou a escrever à máquina. Décadas depois, ao rever textos dos 14, 15 e 16 anos, encontrou ali o embrião de Malu, personagem de Fala Sério, Mãe!, de 2004. “Foi o Fala Sério, Mãe! que me colocou no mapa,” diz.
Antes de se tornar escritora, Thalita tentou o Direito. Queria fazer justiça, mudar o mundo. Mas a passagem por uma vara penal a marcou. Saiu do curso no quarto período e foi para o Jornalismo. “Já que eu não posso mudar o mundo com a lei, eu posso mudar com o meu texto,” diz.
Seu primeiro livro, Traição Entre Amigas, nasceu quando a então jornalista tinha 25 anos. Destinado a jovens adultos, acabou encontrando público entre pré-adolescentes. Thalita estranhou. “Eu não escrevo para você, eu não entendo você, cadê sua mãe?”, dizia. Do espanto, descobriu um público fiel, exigente e intenso. “Eles gostam de mim? Vou escrever para eles.”
Em Fala Sério, Mãe!, Thalita juntou duas intuições: adolescentes que não gostavam de ler precisavam de histórias curtas; mães e filhas precisavam se reconhecer no mesmo livro. A inspiração veio de uma menina que reclamou da mãe dançando numa festa sua. O resultado aproximou as duas gerações. “Eu fiz filho entender mãe, mãe entender filho,” diz.
De Fala Sério… para frente, Bonder brinca que Thalita virou uma popstar da literatura adolescente — trocadilho inevitável com Tudo por um Pop Star — capaz de lotar bienais há décadas. Com o tempo, as leitoras cresceram. Hoje, ela vê nas filas meninas de 10 anos, jovens de 20 e mulheres de 40 levando as filhas. “Me ver sendo passada de mãe para filha é muito lindo,” diz.
A conversa também passa por sua recente incursão pelo universo das mulheres 40+, em projetos como Felicidade Negociável e Juntas e Separadas. Nos livros mais recentes, Thalita passou a tratar de temas mais duros, como diversidade, inclusão, saúde mental e dilemas psicológicos. “Eu não sou psicóloga, eu não sou professora, eu sou uma escritora de ficção,” diz.
Refletindo sobre a própria trajetória, ela reconhece o otimismo carioca que a acompanha pela vida. “Eu escolhi, eu optei pela felicidade,” diz. “Eu corri atrás da minha carreira apaixonada, porque era o que eu queria.”
Também disponível no Spotify.











