A Applause acredita que vender é praticamente uma missão de videogame.

A startup fundada por Eduardo Rodrigues criou uma plataforma que transforma metas comerciais em uma sequência de desafios.

Na ferramenta, um vendedor pode ganhar pontos se vender determinado produto, oferecer uma garantia estendida, visitar um cliente, preencher o CRM ou até conseguir um espaço melhor para uma marca na gôndola de um supermercado.

Cada missão cumprida rende pontos, que podem ser trocados por créditos de Uber e iFood, eletrônicos, jantares, viagens e outros produtos e experiências.

“A gente brinca que queremos ser o ‘Duolingo das vendas’: a ideia é criar pequenos comportamentos de alta performance e transformá-los em hábitos para aumentar a produtividade dos times,” Rodrigues disse ao Brazil Journal.

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(Para quem não sabe, o Duolingo popularizou a gamificação no ensino de idiomas – inclusive, em alguns momentos, se fazendo de coitado para o usuário voltar a estudar.)

A MadeiraMadeira foi uma das empresas que decidiram testar a ideia.

A varejista começou a usar a plataforma em dez de suas 60 lojas. Entre as missões estavam aumentar a venda de produtos de marca própria, oferecer mais garantias estendidas e pedir avaliações dos clientes no Google.

Segundo a Applause, para cada R$ 1 gasto em incentivos, a MadeiraMadeira teve R$ 13 de retorno. O ticket médio dos produtos próprios cresceu 8%, enquanto as vendas de garantia estendida aumentaram 124%.

O resultado: a empresa levou a plataforma para todas as suas lojas e transformou a relação de cliente e fornecedor também numa relação societária.

Os fundadores da MadeiraMadeira estão participando da nova rodada de R$ 10 milhões da Applause, liderada pela Primus Ventures. 

Eles já haviam investido na startup numa rodada anterior. Fundadores da Pipefy e investidores americanos também participam do novo aporte.

A MadeiraMadeira não é o único case usado pela empresa para mostrar que a gamificação pode mexer no resultado.

No Grupo Rojemac, que tem cerca de 400 representantes comerciais, a Applause afirma que o faturamento cresceu 180% três meses depois da adoção da plataforma.

Na subsidiária brasileira da Ferrero – multinacional italiana de chocolates e confeitaria – a ferramenta da Applause chega a cerca de 15 mil vendedores espalhados por centenas de distribuidores. Já a Adidas usa a Applause em campanhas com vendedores de redes multimarcas.

A lista de cerca de 80 clientes inclui ainda Carrefour, Mondelez, iFood, Cielo e PremierPet. Ao todo, são cerca de 80 mil usuários na plataforma.

O negócio nem sempre foi esse.

Fundada durante a pandemia, a Applause nasceu como uma plataforma de benefícios e experiências para funcionários. Mas há cerca de três anos, a companhia percebeu que poderia ligar essas recompensas à produtividade dos times comerciais e pivotou para o modelo atual.

Hoje ela funciona como um SaaS: as empresas pagam de acordo com o número de usuários que vão usar a plataforma, enquanto o dinheiro colocado nas campanhas é integralmente convertido em poder de compra de benefícios para os funcionários.

Com 23 funcionários, a startup já passa de R$ 7 milhões de receita recorrente anual – crescendo 25 vezes nos últimos 19 meses.

Agora, a meta é chegar perto de R$ 20 milhões de ARR até o fim de 2027 – e então levantar uma Série A.

Cerca de 85% do novo aporte será destinado ao crescimento e à expansão internacional. A Pipefy já usa a plataforma em outros países, enquanto a Logcomex adotou o produto no México.

A outra aposta está em AI.

A startup criou o Applause Vision, uma tecnologia de reconhecimento de imagens que transforma, por exemplo, fotos de gôndolas em dados sobre preço, ruptura, participação das marcas e posicionamento dos produtos.

A mesma AI pode verificar se uma missão foi cumprida e liberar os pontos automaticamente.

“Queremos entender cada vez mais quem é esse vendedor e o que faz sentido para ele. A ideia é que cada pessoa tenha uma jornada cada vez mais personalizada,” disse o CEO.