A Vale comprou 30% da Ligga – uma mineradora na região de Carajás – por US$ 190 milhões – um aporte relativamente pequeno para a companhia, mas que dará à Vale acesso a um minério de alta qualidade e trará sinergias logísticas importantes já no curto prazo.
A Ligga é dona da mina Ferro Sul, que produz minério de ferro e fica entre entre Parauapebas e Curionópolis, no coração de Carajás.
Essa mina produz 2 milhões de toneladas de minério e tem planos de elevar a produção para 8 milhões a partir de 2028. Para isso, a Ligga precisará fazer um investimento numa nova planta de beneficiamento, além de obras de infraestrutura.
O aporte da Vale foi feito para financiar esse plano de expansão, uma fonte próxima à companhia disse ao Brazil Journal.

Segundo essa fonte, o investimento foi 100% primário e não há uma call option para o restante do capital – ainda que, naturalmente, a Vale tenha interesse de aumentar sua participação dada a qualidade do ativo.
“É um bom ativo, que tem uma boa qualidade de produto, o que pode ajudar na estratégia de portfólio de produtos da Vale. É sempre importante para eles ter acesso a esses produtos para poder usar na blendagem ou revender,” disse a fonte.
O minério da Ligga tem uma composição de cerca de 60% de ferro, em linha com a média da própria Vale, cujos produtos têm 61% de ferro.
A mina também está numa região onde o CEO Gustavo Pimenta espera extrair economias de escala, já que o escoamento da produção será feito pela estrada de ferro de Carajás e pelo terminal portuário que a Vale detém no Porto de Ponta da Madeira, em São Luís.
Além do investimento, a Vale fechou um acordo de offtake de longo prazo com a Ligga para comprar toda a produção da mina.
Segundo a fonte, o acordo dura por toda a vida útil da mina, que hoje é de 12 a 15 anos, considerando o corpo mineral que já passou por estudos de viabilidade.
A mina, no entanto, tem mais corpos minerais, que exigiriam estudos de viabilidade e um novo projeto, podendo estender sua vida útil.
A Ligga é controlada pelo Grupo Santa Elina, que pertence ao empresário Paulo Brito, o mesmo que controla a Aura Minerals, a mineradora de ouro listada na Nasdaq.
A Santa Elina foi criada em 2011 para reunir os direitos minerais de ferro da família Brito no Pará, mas a mina de Ferro Sul só entrou em operação em 2022 – inicialmente com uma produção de 600 mil toneladas por ano.
Para a Vale, os números da Ligga são pequenos. As 2 milhões de toneladas que ela produz hoje se compara as 336 milhões da Vale. Já a receita da empresa, ao redor de US$ 200 milhões, não é nem 1% dos US$ 38 bilhões que a Vale fez no ano passado.











