A A5X – a nova bolsa brasileira de derivativos e futuros – acaba de levantar R$ 360 milhões em uma Série D, a um valuation post-money de R$ 2,7 bilhões. 

A rodada foi liderada por três novos investidores: Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek; e acompanhada pelos atuais acionistas estratégicos: IMC, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e a ABN AMRO Clearing. 

“Não estamos falando apenas de dinheiro, mas de uma composição de cap table muito estratégica, que representa todo o mercado”, disse ao Brazil Journal Karel Luketic, um ex-executivo da XP e um dos quatro fundadores da A5X, ao lado de Carlos Ferreira Filho, também ex-XP; Nilson Monteiro, que criou a corretora Linx e, mais recentemente, a Ideal, cujo controle foi comprado pelo Itaú em 2022; e Julian Chediak, um advogado especialista em mercado de capitais. 

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“Desde o começo, pensamos, se vamos fazer a ousadia de construir uma nova Bolsa, temos de atrair um ecossistema de participantes que nos ajudassem a entender as dores e oportunidades do mercado e também a desenhar os produtos, complementando nossa visão de mercado,” disse Karel. 

O cap table conta com os bancos internacionais, os quatro maiores market makers que operam na B3, mais o ABN – que é hoje um dos maiores liquidantes operando na Europa. Desde o começo, o negócio conta com a participação de Itaú e Ideal; além de um contrato com a Bolsa de Londres para uso de seu sistema de negociação.

Em quatro rodadas, a A5X já levantou R$ 730 milhões – e a anunciada hoje foi a maior delas.  Na Série A, ancorada por Itaú e Ideal, a companhia foi avaliada em R$ 250 milhões. “Naquele momento, tínhamos 4 fundadores e um belo powerpoint. Foi uma grande aposta nas pessoas,” disse Karel. 

A Série B atraiu os outros investidores a um valuation de R$ 460 milhões. Segundo Karel, já havia um time de 80 pessoas, um projeto construído e conversas avançadas com a Bolsa de Londres.  

Na Série C, há um ano, o valuation foi de R$ 1,35 bilhão, com os mesmos investidores das rodadas A e B. “Já tínhamos dado entrada no processo regulatório e o contrato fechado com a Bolsa de Londres,” disse Karel. 

Agora, ele diz, os sistemas estão prontos.

“Nossa expectativa é receber os reguladores para testes preliminares entre outubro e novembro. Temos a infraestrutura necessária para a Bolsa, faltam as conexões com o Banco Central, com o SPB, ou seja, medidas que dependem dos reguladores,” disse o executivo.

A previsão da A5X é entrar em funcionamento até o segundo trimestre de 2027. 

A A5X começará como uma bolsa de derivativos, com contraparte central, num ambiente apartado da B3, oferecendo contratos futuros de dólar, índice, juros e ações, além de opções sobre esses ativos e opções. A A5X já firmou um contrato com a B3 para o uso de dados.  

“A A5X será operacionalmente mais eficiente, mais rápida para negociar, mais leve para fechar o mercado e para toda operação de backoffice, além de ter tecnologia mais robusta,” disse o fundador. “Não estamos criando uma empresa, e sim um novo mercado.”

Os quatro sócios fundadores dizem que mantêm o controle do negócio, mas fazem segredo das participações acionárias. “Temos os acionistas minoritários com voz para nos ajudar a desenvolver esse negócio, mas eles mesmos compreendem que se tiverem posição dominante vão gerar conflito de interesses em relação aos outros.”

As conversas sobre a nova bolsa começaram entre Karel e Carlos quando ainda estavam na XP, e com Julian, que era um consultor da empresa.

O negócio começou a tomar forma depois da regulação da CVM, em 2022, para a criação de novas bolsas no Brasil. A associação com Nilson Monteiro foi natural. “Já tínhamos quem conhecesse de varejo, institucional e regulatório. Faltava alguém que entendesse de market makers. Só poderia ser o Nilson que, quando estava na Linx, trouxe esse business pro Brasil.”  

A XP também exerceu hoje uma opção de compra de participação na A5X. Quando Carlos saiu da XP, o non-compete previa que se ele desejasse abrir outro negócio num prazo de 5 anos teria de dar uma opção de compra à corretora.