Com uma dívida impagável e credores divididos, a Braskem viu suas debêntures e CRAs passarem a ser negociados a cerca de 30% do valor de face no mercado secundário nos últimos dias, segundo gestores de crédito que receberam ofertas pelos papéis. 

Em abril e maio, quando houve um pico de negociação desses títulos, o desconto estava em torno de 50%.

Os bonds da petroquímica não acompanharam a desvalorização dos seus papéis locais e continuam sendo negociados a cerca de 50% do valor de face, mesmo patamar dos últimos meses. 

“Esse desconto de 70% nos CRAs e debêntures parece precificar mais corretamente a dificuldade da reestruturação da dívida da empresa,” disse um gestor que avalia comprar os papéis. 

“É um processo mais complicado que o da Raízen, por envolver uma estatal, e os papéis da Raízen chegaram a esses 30%.”

A Braskem é controlada pela IG4 Capital – que concluiu em junho a compra da participação da Novonor e tem 50,1% do capital votante da empresa – e pela Petrobras, com 47%. 

A companhia busca uma solução para um passivo de cerca de R$ 50 bilhões, 60% concentrado em bonds no exterior. Os CRAs e debêntures somam R$ 3,4 bilhões, segundo dados da plataforma Vitrify.

No fim de junho, a Braskem obteve uma decisão judicial que permitiu suspender execuções e cobranças de dívidas por 60 dias. Também iniciou um processo de mediação na Câmara Wind com um grupo de credores.

Segundo uma pessoa que acompanha as negociações, o plano A da empresa é reestruturar a dívida por meio de uma recuperação extrajudicial, propondo aos credores essencialmente o alongamento de prazos. 

Isso, aliado a melhorias operacionais e a algum alívio no ciclo de baixa por que passa o mercado petroquímico, seria suficiente para dar à companhia fôlego para pagar as dívidas com uma extensão de prazo, segundo essa fonte.

Uma parcela dos credores, porém, busca a conversão do passivo em equity com a diluição dos atuais acionistas – e ainda não há acordo. 

Apenas no primeiro trimestre deste ano, a Braskem teve uma queima recorrente de caixa de R$ 4,6 bilhões, fruto principalmente do pagamento de juros da dívida no mercado externo. 

A ação caiu 6% hoje e já desvalorizou 33% em 12 meses. 

A empresa vale R$ 4,5 bilhões na Bolsa.