Ruy Castro foi à escola pela primeira vez apenas aos dez anos, mas já sabia ler bem antes disso. Jornalista, escritor, membro da Academia Brasileira de Letras e biógrafo de nomes como Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, ele é o convidado deste episódio de The Business of Life, apresentado por Nilton Bonder.
Nascido em 1948 em Caratinga, Minas Gerais, Ruy passou a infância entre o interior e o Rio. Criança, ouvia a mãe ler em voz alta A vida como ela é, coluna de Nelson Rodrigues publicada no jornal Última Hora. Aprendeu a ler aos quatro anos, ganhou seu primeiro livro aos cinco – “e nunca mais deixei de ter um livro na mão”.
Vencedor de seis prêmios Jabuti, Ruy não frequentou o ensino básico regular e entrou na escola pela primeira vez aos dez anos. Desde cedo, já sabia que seria jornalista — e que trabalharia no Correio da Manhã. Era uma paixão herdada do avô e do pai, leitores fanáticos do jornal. “Eu não tive nenhuma chance de ser outra coisa,” diz.
Começou sua carreira no Correio em 1967, aos 19 anos. Depois disso, como repórter e editor, passou por algumas das principais redações do País, como Jornal do Brasil, Veja, O Estado de S. Paulo, Playboy e Folha de S.Paulo, onde é colunista desde 2007.
Aos 40 anos, passou a se dedicar aos livros. Quando Nilton afirma, “O Rio de Janeiro, naquela época, era a representação do Brasil…” Ruy responde: “Ainda é.” Entre suas obras estão Chega de Saudade (1990), sobre a bossa nova; O Anjo Pornográfico (1992), biografia de Nelson Rodrigues; Estrela Solitária (1995), sobre Garrincha; e Carmen — Uma Biografia (2005), sobre Carmen Miranda.
Da experiência nas redações, Ruy carregou para os livros a checagem minuciosa, o texto claro, o humor e, sobretudo, o respeito ao leitor. Na conversa com Bonder, ele resume o que considera essencial na escrita: “Você tem três compromissos: a clareza, a objetividade e a verdade.”
Ruy também fala da obsessão necessária ao trabalho do biógrafo. “Quando me convenço que quero, eu me jogo — e me jogo neuroticamente,” diz. “Eu sonhei com o Nelson Rodrigues e o Garrincha… Tudo bem. Agora, quando eu sonhava com a Carmen, era muito melhor.”
No conselho final, Ruy fala aos futuros jornalistas com humor: “Se ainda tiver tempo, mude de vocação.” Depois explica: “Você deve ter a paixão pela informação, a paixão para descobrir as coisas.” Pode levar anos para encontrar um dado que o leitor talvez nem perceba. Ainda assim, diz, não se pode desistir.
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