Outra empresa que pode se dar bem com os eventos da Venezuela é a Maha Capital, que é listada na Bolsa de Estocolmo e tem a gestora brasileira Starboard como seu principal acionista.

A companhia, que começou como uma petroleira e está em processo de fusão com uma fintech, detém uma opção de compra de parte de um campo de petróleo na Venezuela que pode ser exercida até maio.

A PDVSA, a estatal venezuelana, tem 60% deste campo, o Petrourdaneta, e a Novonor (a antiga Odebrecht), que tem os 40% restantes.

A ‘call’ da Maha é sobre os 40% da Novonor, e foi comprada em 2023. Na época, a Maha pagou US$ 5 milhões pela opção – e terá que pagar outros US$ 5 milhões se decidir exercê-la. 

Com a prisão de Nicolás Maduro e a potencial mudança no regime político do país, o CEO da Maha, Roberto Marchiori, disse ao Brazil Journal que a companhia está avaliando exercer a opção.

“Estamos nos transformando numa fintech com a fusão com a Keo, e nosso foco vai ser esse. Mas essa opção tem uma assimetria de valor muito grande. Estamos discutindo se exercemos ou não, e isso vai depender da evolução do cenário político no país e das condições de mercado,” disse ele.

O campo de Petrourdaneta — que fica próximo à região petrolífera de Maracaibo e é vizinho de campos operados pela Chevron, outra empresa que deve se beneficiar da mudança política no país — produz hoje apenas 2 mil barris por dia, uma fração do que já produziu no passado e de seu potencial. 

Nos anos 1950, o campo chegou a produzir 250 mil barris/dia. A estimativa da Maha é que ele possa voltar a produzir 40 mil barris/dia em quatro anos, depois de passar por uma revitalização. 

Como o campo tem reservas estimadas de 1 bilhão de barris recuperáveis, e como a companhia estima que seja possível recuperar 300 milhões desse total, aplicando um múltiplo EV/reservas de 2,5x (um desconto em relação ao múltiplo médio do setor, de 4x, dado a instabilidade do país), o ativo inteiro poderia valer US$ 750 milhões, e a participação da Maha, US$ 300 milhões.

Para a companhia, este valor seria transformacional.

A Maha hoje vale US$ 150 milhões na Bolsa de Estocolmo e tem US$ 120 milhões em caixa. Após a conclusão de sua fusão com a fintech Keo, ela deve ter um market cap de cerca de US$ 300 milhões. 

Além do valor da opcionalidade da call, a Maha também tem direito a receber uma dívida de cerca de US$ 100 milhões que a PDVSA tem com a Nonovor.

Nos últimos dez anos, toda a produção do campo foi apropriada pela PDVSA, o que gerou um dividendo a receber para a Novonor, na proporção de sua participação. 

Caso exerça a opção na Venezuela, a intenção da Maha não é operar o campo, e sim buscar um comprador para o ativo. 

Um comprador óbvio seria a própria Chevron, que tem campos vizinhos ao ativo e poderia extrair sinergias da operação, já que poderia misturar o óleo pesado produzido por seus campos com o óleo leve do  Petrourdeneta.