A Chinalco e a Rio Tinto acabam de fechar a compra da CBA, avaliando a maior produtora de alumínio da América Latina em R$ 10,7 bilhões de enterprise value, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.
Um anúncio é iminente.
A transação foi feita por meio de uma joint venture criada pelas duas empresas e que será controlada pela Chinalco.
A JV comprou a participação de 68,6% do Grupo Votorantim na companhia e fará uma OPA para comprar os 31,4% restantes.
As duas empresas vão pagar R$ 10,50 por ação, em linha com o preço de fechamento de hoje do papel (R$ 10,35).
O valor pago, no entanto, representa um prêmio de 74% em relação à média do preço do papel nos últimos 90 pregões. No último mês, a ação da CBA subiu quase 50% com especulações sobre uma potencial venda.
A participação da Votorantim foi avaliada em R$ 4,7 bilhões de equity value, dando à CBA inteira um valor de R$ 6,8 bi. O enterprise value da transação foi de R$ 10,7 bi — um múltiplo EV/EBITDA 2026 de cerca de 6x.
Esta é a maior transação do setor de alumínio dos últimos 15 anos no Brasil. A maior foi em 2010, quando a Hydro comprou o negócio de alumínio da Vale por US$ 5 bilhões.
Para a Chinalco, a transação representa sua entrada na América Latina com a aquisição da companhia líder do setor e com uma operação verticalizada, que vai desde a mineração até o refino de bauxita, passando pela fundição e fabricação de diversos produtos de alumínio primário.
“Para a Chinalco também é estratégico ter acesso a bauxita. Quando você olha a cadeia global, a Austrália e a Nova Guiné são os principais mercados de bauxita do mundo. A transação é uma forma da China ter mais acesso e controle da bauxita,” disse uma fonte a par do assunto.
Já para a Votorantim, a venda parece fazer parte de um rebalanceamento de seu portfólio, com uma redução na exposição em commodities (um mercado mais cíclico e instável) e o investimento mais forte em infraestrutura e utilities, por meio da Motiva e Auren Energia.
A transação vem num momento desafiador para a CBA, que está com uma alavancagem próxima de 3x EBITDA e sem capacidade de investir em projetos estratégicos de crescimento.
Em agosto passado, por exemplo, a CBA havia contratado a Moelis para encontrar um investidor para o projeto Rondon, que deve demandar R$ 2,5 bi em investimentos e que a companhia não tem capacidade de colocar de pé sozinha.
A CBA não trabalhou com assessor financeiro.
Itaú BBA assessorou a Chinalco, que tamb;em trabalhou com a Huatai Securities.
Goldman Sachs assessorou a Rio Tinto.











