O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) comprou uma participação na Iguá Saneamento que pode chegar a 45,5% — avaliando a companhia em R$ 2,5 bilhões e adiando ao menos momentaneamente os planos de IPO. 

O CPPIB — que já é sócio no Brasil de empresas como a Votorantim e a Cyrela — comprou as participações do Bradesco e de outro investidor, além de injetar R$ 500 milhões na companhia, que pretende participar ativamente dos leilões de saneamento do Brasil.

A transação está sujeita a documentos definitivos e à aprovação do CADE.

Com a capitalização, o caixa líquido da Iguá vai para cerca de R$ 1,1 bilhão e a relação dívida líquida/EBITDA cai de 3,5x para 2x. 

A transação de hoje fecha um ciclo na história da Iguá, uma companhia que nasceu quando a gestora de private equity IG4 Capital comprou os ativos da antiga CAB Ambiental, que pertencia ao Grupo Galvão. 

O acordo também é uma vitória suada para o fundador da IG4, Paulo Mattos, um ex-sócio da GP Investimentos e advogado do Mattos Filho que deixou a carreira jurídica para se dedicar ao turnaround de empresas e está há 3 anos e meio no comando da Iguá.  

A transação com o CPPIB não gera uma mudança de controle na Iguá porque a IG4 continua sendo a gestora do fundo do qual seus sócios canadenses são cotistas.

O acordo vem num momento em que a Iguá estava conversando com investidores sobre um IPO que arredondaria sua estrutura de capital e deixaria a empresa pronta para competir pelo maior e mais desejado ativo do ano: a CEDAE, cujo leilão está marcado para 30 de abril.

O modelo de venda da CEDAE divide a concessão da companhia em quatro clusters (sub-concessões) — cujas outorgas devem custar R$ 10 bilhões e exigir investimentos de cerca de R$ 30 bi nos próximos 35 anos.

Se a Iguá ganhar um ou mais clusters, as chances da companhia voltar ao mercado de capitais devem aumentar substancialmente.

A Iguá tem 14 concessões e quatro PPPs em cinco estados.  Uma delas, a SPAT, é uma parceria com a Sabesp que capta água no Alto Tietê e abastece quase um terço da cidade de São Paulo. Esta PPP está prestes a ser estendida por mais 20 anos.

Se os outros acionistas da Iguá não acompanharem o aumento de capital dos canadenses, o CPPIB ficará com 45,5% da companhia, seguido de outro gigante canadense, o Alberta Investment Management Company (Aimco) com 39,4%. 

A BNDESPar deve ser diluída de 10,9% para 8,7%. 

Numa conversa recente com o Brazil Journal, Paulo Mattos falou sobre a oportunidade do saneamento no País, e o desafio moral que ele representa.

“96% do setor de saneamento brasileiro ainda é estatal e a situação da infraestrutura é medieval. Nossa infraestrutura é pior que a do Iraque, e a situação é particularmente ruim no esgoto: só metade dos domicílios têm coleta, e só 35% do esgoto é tratado.” 

Para o Brasil atingir a média dos países desenvolvidos — onde 98% dos domicílios têm água e esgoto tratado — o País terá que investir entre R$ 500 bilhões e R$ 1 trilhão até 2033. 

Precisaremos de sorte — ou muita segurança jurídica e estabilidade político-econômica. Ou seja: precisaremos de sorte.

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O Bradesco BBI assessorou a Iguá.

A Metis Advisors assessorou o CPPIB.

O Pinheiro Neto foi o assessor jurídico da Iguá. Stocche Forbes, da CPPIB; Sérgio Spinelli, da IG4, e Mattos Filhos, da AIMCo.