AI pede capex.
Capex pede tarifa.
Tarifa incomoda.
Aí, aparecem os políticos…
É o que está acontecendo nos EUA, onde a enorme demanda dos data centers de AI está sobrecarregando a rede elétrica, causando risco de apagões já no próximo ano se as empresas do setor não puderem aumentar suas tarifas para financiar investimentos no sistema.
O alerta é de Calvin Butler, o CEO de um dos maiores grupos de eletricidade americanos, a Exelon, em entrevista ao Financial Times.
“Chegamos muito perto, no último inverno, de ter que cortar energia para 400 mil consumidores em alguns dos dias mais frios do ano. E está só piorando,” disse Butler. A Exelon atende 11 milhões de clientes e controla seis concessionárias de distribuição e transmissão.
O CEO defendeu mudanças legislativas para acelerar a expansão do grid diante da nova realidade.
Uma subsidiária da Exelon que atende parte da Pensilvânia, a PECO, recuou recentemente de um pedido de aumento de suas tarifas após enfrentar dura oposição dos clientes – e de políticos.
Segundo o FT, o Governador Josh Shapiro, do Partido Democrata, chegou a dizer que a empresa pediu o reajuste por “pura ganância”, e descreveu seus lucros de US$ 814 milhões em 2025 como “obscenos.”
Para o CEO da Exelon, as empresas de energia estão virando o “bode expiatório” do aumento de custos gerado pelos data centers, e adiar aumentos agora só jogará a conta para a frente.
“Estou elevando minha tarifa por causa do crescimento econômico que você quer,” disse ele ao FT, em resposta ao Governador. “Não posso ter um sistema de classe mundial sem investir nele. Não posso fazer isso e não pedir um reajuste. Não é a matemática correta, não é um bom negócio e não funciona.”
O caso evidencia como o boom da AI tem desafiado as redes elétricas, os executivos das empresas do setor e os políticos dos EUA ao exigir mais investimentos que acabam por elevar as tarifas e pressionar a inflação, gerando insatisfação popular em algumas regiões.
Na área que compreende Pensilvânia, Nova Jersey, Ohio e Illinois, sob gestão da operadora de rede PJM, um encargo de capacidade cobrado de clientes industriais disparou 1.000% desde 2024 com a chegada dos data centers, segundo esta reportagem da Reuters.
Estados incluindo Nova Jersey, Nova York e Maryland aprovaram recentemente legislações que aumentam o escrutínio sobre aumentos de tarifas de energia e buscam aliviar os impactos para consumidores com créditos e ajuda financeira.
Na página principal de seu site, a Exelon diz que está “buscando soluções para ajudar a reduzir as contas de luz e evitar blecautes”.
“Nós sabemos que os consumidores estão frustrados com os crescentes custos da energia. Nós também estamos,” escreveu a companhia.
Em sua recente oferta para comprar a rival Dominion Energy, a NextEra ofereceu US$ 2,25 bilhões em créditos na conta de luz para parte de seus futuros clientes.
A transação, se aprovada por reguladores, dará à NextEra o controle da distribuição na Virgínia, o Estado com a liderança global em capacidade de data centers, e ainda aumentará o poder de fogo da empresa no setor de geração.
A Casa Branca disse à Reuters que está tomando medidas para amenizar impactos dos data centers sobre os demais consumidores e a indústria, incluindo regras para obrigar as empresas de tecnologia a custear a construção de mais usinas.











