Jamie Dimon, o CEO do JP Morgan, disse que os investidores estão subestimando os riscos da economia global – e que, nos atuais preços, não compraria nem ações nem Treasuries longos.

Para Dimon, os mercados não estão precificando adequadamente as crescentes ameaças geopolíticas e os desafios na área fiscal.

“Eu realmente acho que esses riscos são provavelmente maiores do que outras pessoas pensam,” Dimon afirmou em uma entrevista ao podcast The Master Investor, do âncora da Sky News Wilfred Frost.

O CEO do maior banco mundial em market cap disse que os preços correntes carregam algum prêmio – mas “o que realmente acontece é aquilo que não está embutido.”

A conversa de uma hora foi gravada na semana passada e publicada segunda-feira à noite.

Jamie Dimon

Segundo Dimon, a economia mundial tem se demonstrado mais resiliente do que o previsto, mas não descartou a possibilidade de uma esticada na inflação.

Em sua avaliação, a persistência do déficit fiscal americano, se não for enfrentada, acabará batendo nos juros.

“Minha visão é que vai se tornar um problema,” afirmou.

Indagado se compraria títulos do Tesouro de longo prazo, respondeu: “Pessoalmente, não.”

Mesmo se a inflação americana recuar para a meta de 2%, ele argumentou que “um rendimento de 4% a 4,5% para os títulos do Tesouro de 10 anos seria razoável,” implicando pouco espaço para valorização dos papéis nos preços atuais.

Dimon afirmou que mantém a lembrança do que ocorreu nos anos 1970, quando a inflação saltou abruptamente de cerca de 3,5% para 11%.

A dívida americana passou de 100% do PIB, e o déficit se mantém em 6%. O banqueiro, contudo, não vislumbra uma correção. Previu que os governantes só vão agir quando vier uma crise. “Isso se manifestará por meio de taxas de juros mais altas,” comentou.

Dimon também demonstrou cautela quanto aos preços das ações. Disse que pode haver oportunidades em algumas companhias, mas não compraria o mercado como um todo.

Ao comentar a inteligência artificial, afirmou que “a quantidade de dinheiro sendo gasto é impressionante” e é “longe de ser certo que as expectativas [de retorno] serão alcançadas.” 

“Isso vai se pagar? Provavelmente sim, como acabou acontecendo com a internet,” afirmou. “Vai trazer o retorno que você espera, no prazo que você espera? Definitivamente, não.”

Dimon comentou ainda as especulações de que o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, poderá aumentar a taxação sobre os bancos. Afirmou que “parece ótimo taxar bancos” mas “coisas como essa podem ter consequências adversas.”

Dimon recentemente deu o sinal verde para a construção de uma nova torre de escritórios do banco em Londres, depois de ter recebido garantias do governo anterior de que não haveria mudanças na tributação do setor financeiro.