A Aegea não vai realizar sua oferta inicial de ações este ano, como boa parte do mercado vinha esperando.
A revelação foi feita hoje pelo CEO Radamés Casseb numa teleconferência para apresentar os resultados de 2025.
A Aegea já havia adiado o balanço de seu quarto tri por vários dias, gerando nervosismo no mercado enquanto os números passavam por revisões.
Os dados saíram na data-limite acertada com os credores, mas não fizeram preço nos bonds da empresa hoje – inclusive porque mostraram um aumento além do esperado na alavancagem.

Na teleconferência, o CEO da Aegea defendeu que a empresa ainda precisa melhorar a comunicação com o mercado e a transparência antes de colocar as ações na Bolsa.
“Na jornada de amadurecimento para o IPO, projetado para ao longo de 2027, a companhia vai continuar a evoluir seus processos,” disse Casseb.
Os resultados de 2025 da Aegea mostraram a alavancagem consolidada subindo para 3,78x, de 2,96x no fim de 2024.
Os títulos da Aegea negociavam a cerca de 80% do valor de face já na semana passada, por preocupações com o risco de o atraso no balanço disparar vencimentos de dívida. O desconto continuou hoje.
A Aegea disse que os ajustes “não têm impacto em caixa e não resultam em descumprimento de covenants financeiros.”
A empresa disse que houve revisão em critérios de reconhecimento contábil de receita e metodologias de cálculo de inadimplência. Também houve ajustes na capitalização de juros por pagamentos de outorgas que aumentaram a despesa financeira.
Após os ajustes, a Aegea agora espera voltar a um processo de redução gradual da alavancagem, disse o CFO André Pires.
“Não temos expectativa de que esse número, ao longo de 2026, especialmente em direção ao final de 2026, volte a subir.”
Ainda assim, a Aegea segue estudando participação no leilão da Copasa, previsto para este ano.
Para disputar a privatização sem pressionar o endividamento, se for necessário a companhia poderia buscar uma capitalização junto aos sócios, disse Casseb. Os acionistas da Aegea são a Equipav (52%), o GIC (35%) e a Itaúsa (13%).
“Desde os últimos anos os acionistas vêm discutindo as bases pelas quais futuras capitalizações ocorrerão, prioritariamente olhando para projetos transformacionais, nos preparando para os grandes leilões,” disse Radamés.
Em alguns setores do sellside, a percepção é de que a Aegea ainda é um candidato forte a comprar a Copasa, mas o último balanço mostrou uma posição “mais frágil”, aumentando as chances de rivais como a Sabesp e a Equatorial.
Os acionistas da Aegea também poderão abrir mão de dividendos para fortalecer o balanço se necessário, disse o CFO durante a teleconferência, na qual os analistas repetiram preocupações com o nível de alavancagem.
“A companhia e os acionistas jamais vão colocar a trajetória de desalavancagem em risco por conta de dividendos,” disse Pires.











