A Vixtra – que está tentando se posicionar como o banco dos importadores – acaba de levantar uma rodada para acelerar o desenvolvimento de novos produtos, incluindo o uso de stablecoins em transações de câmbio e empréstimos. 

A Série A de R$ 50 milhões foi liderada pela Valor Capital, que já era investidora da startup, e teve a participação das gestoras Headline, NXTP, Actyus, Bluestone e Simma Capital.

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A Vixtra nasceu em 2021 unindo a experiência de Leonardo Baltieri no investment banking de grandes bancos com o histórico de 20 anos de seus dois co-fundadores – Guilherme Rosenthal e Caio Gelfi – no mercado de exportação e importação.

“O que vimos é que o mercado de comex ainda trabalha de forma muito analógica, com papel, sistemas legados, e sem grandes tecnologias. Então nosso primeiro objetivo foi trazer tecnologia de gestão para esse mercado,” Leonardo disse ao Brazil Journal. “Depois fomos construindo camadas de trade banking.”

A Vixtra oferece um software que ajuda o cliente a fazer a gestão de suas importações, permitindo acompanhar todo o processo do início ao fim com um maior controle de toda a logística.

Mas ela ganha dinheiro mesmo com os produtos bancários: usando os dados desse software para fazer uma análise de crédito mais assertiva, a startup oferece capital de giro aos clientes usando as mercadorias como colateral – algo que os fundadores dizem que os grandes bancos não fazem.

“Os bancos tipicamente usam duplicatas, imóveis ou valores em conta como garantia. A gente permite usar a carga que o importador tem, e que está em trânsito, transformando isso num ativo para as empresas,” disse Guilherme.

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“Isso faz com que nossa inadimplência seja muito baixa, porque se o cliente dá default travamos a mercadoria dele no próprio porto e vendemos para outro importador da nossa base. Em média, financiamos 70% da carga e usamos a carga inteira de garantia, então mesmo se temos que vender a carga com desconto é muito difícil não conseguirmos recuperar o valor.”

A Vixtra já emprestou para mais de 200 importadoras e hoje tem uma carteira de crédito de R$ 250 milhões. O prazo médio das operações é de 90 dias, o que sinaliza para um volume anualizado de R$ 1 bilhão. 

O ARR (a receita mensal anualizada) bateu em US$ 12 milhões (cerca de R$ 60 milhões no câmbio de hoje) no mês passado, com a fintech crescendo 2,5x ano contra ano. 

A fintech também oferece o serviço de câmbio aos clientes. O diferencial, segundo os fundadores, é que a taxa é menor que a dos bancões e o processo é mais rápido. 

O fundador disse que normalmente a Vixtra não substitui os bancos, mas se torna uma opção adicional de crédito.

“Nossos clientes são bancarizados e continuam usando os bancos para fazer desconto de duplicata e pegar crédito usando imóveis. Mas esse importador normalmente precisa de mais capital de giro e usa a Vixtra como solução adicional para pegar um crédito colateralizado a uma boa taxa,” disse ele. 

Já no câmbio, “aí sim somos concorrentes. Ou ele vai fazer com a gente ou com os bancões.”

Os recursos da rodada serão usados para ampliar os esforços comerciais e investir mais em tecnologia, com o desenvolvimento de novos produtos e o uso de stablecoins nas operações de empréstimos e câmbio.

Leonardo disse que a Vixtra está adicionando cerca de 10 novos clientes por mês. A meta é subir esse número para 20 a 30 com maiores investimentos em marketing e na equipe comercial.

Em termos de tecnologia, os principais investimentos de curto prazo serão em três produtos: o câmbio com stablecoin, o empréstimo com stablecoin e uma conta global. Guilherme disse que a companhia já tem versões beta dos três produtos, e deve fazer um lançamento oficial nos próximos meses. 

No médio prazo, a ideia é lançar outros produtos bancários, como seguro e hedge cambial. “Nossa ideia é nos transformar em um banco completo para o importador e exportador,” disse o co-fundador.