A Trace Finance – que faz as operações de câmbio para empresas como DLocal, ARQ e Nuvei – acaba de captar a maior Série A de uma fintech no Brasil, enchendo seu caixa para expandir para novos mercados e fortalecer seus esforços comerciais.

A rodada de US$ 32 milhões (R$ 163 milhões no câmbio de hoje) foi liderada pelo Coinfund, uma gestora americana de venture capital que está fazendo seu primeiro investimento na América Latina.

Também participaram a Coinbase Ventures, Valor Capital, Clocktower, FJ Labs, e Haun Ventures, além de investidores-anjo como Ricardo Villela Marino, um dos acionistas do Itaú, Sean Neville, co-fundador da Circle, e Anatoly Yakovenko, o co-fundador da Solana.

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O valuation exato não foi revelado, mas o fundador Bernardo Brites disse ao Brazil Journal que ele foi cerca de 10x maior que o da rodada anterior, um seed round que a Trace levantou em 2022.

Na época, a fintech levantou US$ 4,3 milhões a um valuation de US$ 24 milhões (ou R$ 120 milhões), o que coloca o valuation da rodada de hoje ao redor de R$ 1 bilhão.  

A Trace começou atendendo startups que precisavam trazer para o Brasil os dólares que recebiam de suas rodadas de investimento, um processo que era demorado e custoso. 

Em 2024, no entanto, Bernardo percebeu que esse nicho era pequeno e baseado em transações pontuais – e começou a expandir para o mercado de pagamentos cross border, hoje o perfil de clientes que mais gera receita para a startup.

“Essas empresas estão processando os maiores marketplaces, as maiores empresas de viagem e de mobilidade do mundo, e precisam mover bilhões com frequência, mas os bancos no Brasil não tem um foco grande em cross border,” disse o fundador. 

A Trace oferece uma estrutura tecnológica “com APIs e fluxos muito alinhados, e temos um conhecimento muito grande de câmbio. Conseguimos processar centenas de fluxos diferentes para nossos clientes, enquanto nos bancos eles teriam que aprovar cada fluxo um a um, num processo bem mais complexo. Temos clientes que operavam com 5,6 bancos antes e agora estão operando quase tudo com a gente,” disse Bernardo.

Segundo ele, há ainda uma vantagem relevante de custo em comparação aos grandes bancos, com as taxas de câmbio da Trace sendo “significativamente menores.”

A Trace atende cerca de 700 clientes (a maior parte ainda são startups), e processou cerca de US$ 10 bilhões em operações de câmbio ano passado. Para este ano, a meta é pelo menos dobrar o volume. 

A startup não abre o faturamento, mas Bernardo disse que ela chegou ao breakeven no ano passado.

O principal plano da Trace com a rodada é expandir para novos mercados e conquistar clientes maiores. A startup já opera na América Latina, Europa e Estados Unidos, e agora vai para a Ásia-Pacífico. 

O fundador disse que seu objetivo é atender gigantes de pagamento como PayPal, Stripe, Mastercard e Visa, e para isso “é muito importante ter um selo de validação e um caixa robusto. Essa rodada nós deu isso.”

A Trace foi fundada por três empreendedores com background em cripto: Bernardo trabalhou na Decred (uma criptomoeda) e depois criou um negócio que ajudava exchanges de cripto a fazer câmbio; Rafael Luz foi sócio de Bernardo nessa empresa e antes trabalhou na suiça Transfero; e Leone Parise trabalhou anos na TrustWallet, uma wallet comprada pela Binance em 2018.