Donald Trump continua determinado em reviver a indústria do aço nos EUA – e espera se cacifar eleitoralmente com isso nas eleições de meio de mandato, em novembro.
O Presidente americano anunciou ontem um projeto de US$ 15 bilhões da Mesabi Metallics: a construção, em Iowa, de uma das maiores siderúrgicas do país. A usina terá capacidade anual de 7,5 milhões de toneladas em sua primeira fase, mas deverá atingir uma produção de até 10 milhões de toneladas – quase 10% do consumo atual do país.
A nova siderúrgica vai processar minério de uma nova mina da Mesabi, em Minnesota, um investimento de US$ 2,5 bilhões. Segundo a Casa Branca, trata-se da primeira jazida de minério a ser aberta nos EUA em mais de 50 anos.

O projeto foi apresentado como “100% americano” – da extração do minério à usinagem do aço.
A produção em Iowa deverá começar em cinco anos, criando 1.750 empregos diretos – e, antes disso, cerca de 6.000 vagas na construção.
O eleitor do Meio-Oeste foi fundamental para a vitória de Trump há dois anos, mas agora a popularidade do Presidente está em queda na região.
A Mesabi faz parte de um dos maiores conglomerados da Índia, o Essar Group. Os investimentos nos EUA terão um financiamento de US$ 10 bilhões do EXIM Bank americano.
O projeto da mina e da siderúrgica foi apresentado pelo Essar Group há quase 20 anos, de acordo com o Wall Street Journal. Mas os investimentos demoraram a sair do papel e a companhia chegou a perder para a Cleveland-Cliffs parte das licenças de exploração das jazidas de Minnesota.
Durante uma cerimônia no Salão Oval na segunda-feira, Trump afirmou que os novos investimentos da Mesabi na siderúrgica e da mina só ocorreram por causa das tarifas impostas contra o aço importado.
“Todo mundo está construindo suas usinas aqui porque ninguém quer pagar tarifa,” disse o Presidente. “Não é algo complicado.”
O Secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o projeto do Essar Group ajudará os EUA a reduzir sua dependência em relação a insumos importados para a produção de aço, entre eles o minério de ferro brasileiro.
Para o BTG, ainda faltam detalhes sobre o projeto – como quais produtos serão fabricados na nova usina.
“Não vemos praticamente nenhum impacto nos preços do aço nos EUA no curto a médio prazo, e os volumes da produção provavelmente representariam substituição de importações, caso a atual proteção tarifária seja mantida,” escreveu o time liderado pelo analista Leonardo Correa.
Para o banco, “o anúncio carrega uma clara dimensão política, ocorrendo poucas semanas antes das eleições de meio de mandato, enquanto detalhes importantes – incluindo o local definitivo e o pacote completo de financiamento – permanecem indefinidos.”
As siderúrgicas instaladas nos EUA não têm do que se queixar do atual momento do mercado americano. Com demanda interna em alta e proteção contra a competição estrangeira, elas estão conseguindo elevar preços e ampliar margens.
Os EUA produzem entre 80 e 90 milhões de toneladas de aço ao ano, e compram de fornecedores estrangeiros entre 20 milhões e 25 milhões. Desde o ano passado, a tarifa foi a 50% – e a tonelada de aço no mercado americano subiu de US$ 800 para US$ 1.300, segundo a Barron’s.
Uma das grandes beneficiadas pelo protecionismo de Trump tem sido a Nucor, a maior siderúrgica do país.
A ação da companhia disparou 76% nos últimos 12 meses e está oscilando em torno de sua máxima histórica. No mesmo período, o VanEck Steel ETF acumula alta de 42%.
Na segunda-feira, entretanto, as ações do setor tiveram um dia de queda e continuaram recuando hoje.
De acordo com os analistas, o investimento dos indianos ainda levará tempo para aumentar a oferta de aço, mas é um indicador de que o mercado ficará mais competitivo nos próximos anos.











