Dois escritórios de assessoria de investimentos da XP estão fundindo seus negócios, criando a maior operação vinculada à corretora de Guilherme Benchimol focada no modelo ‘fee-based’.
A Invés e a Alza foram fundadas há cerca de três anos. Juntas, têm pouco mais de R$ 4,5 bilhões em ativos sob gestão e planos de terminar o ano com R$ 8 bi – o que colocaria a empresa nos top 30 dos maiores escritórios da XP.

Segundo Leonardo Medeiros, o fundador da Alza, o grande diferencial é que as duas empresas já nasceram apostando no modelo ‘fee-based’, que representa 70% do patrimônio total sob gestão.
Para se ter uma ideia, a média dos escritórios da XP é de cerca de 10%, com as casas com a maior penetração deste modelo tendo 30% da base no ‘fee-based’.
“O mercado como um todo está se consolidando de forma acelerada, e o que temos visto é gente tentando aumentar o patrimônio sob gestão, mas sempre no mesmo modelo,” disse Leonardo. “O que estamos fazendo é algo diferente. Queremos consolidar o modelo fiduciário, que é muito melhor para o cliente do que o modelo de empurrar produto. A questão é menos sobre consolidação e mais sobre a consolidação em cima de qual modelo.”
No modelo fiduciário, a assessoria cobra uma comissão fixa anual em cima do patrimônio do cliente. Com isso, há um incentivo claro em fazer o patrimônio do cliente crescer. Já no modelo tradicional, de rebate, a assessoria ganha pelos produtos vendidos aos clientes – criando um incentivo para se vender os produtos que pagam mais comissão ao assessor.
Leonardo diz que, além do modelo fee-based, a Inves e Alza se diferenciam por terem sido fundadas por dois outsiders que entraram no setor com uma visão muito centrada no cliente.

Antes de fundar a empresa, Leonardo trabalhou quatro anos em consultoria e, mais recentemente, foi executivo da Isaac, a startup adquirida pela Arco em 2022.
Já o fundador da Invés, Henrique de Barros, veio do segmento de construção. Sua família é dona de uma construtora em Belo Horizonte, a GOS Engenharia, onde ele trabalhou 15 anos.
“As duas empresas nasceram do inconformismo com como os clientes eram atendidos, e tivemos a sorte de começar numa janela muito boa, com a regulação evoluindo e estimulando o modelo fiduciário,” disse Medeiros.
A fusão manterá as duas marcas inicialmente, mas a ideia é adotar uma só marca no futuro. Juntas, as duas empresas têm cerca de 100 funcionários e atendem 3,7 mil clientes. O tíquete médio é de R$ 1,2 milhão.






