Otavio Castello Branco, que construiu o negócio de infraestrutura do Pátria Investimentos, morreu neste domingo em Nova York depois de complicações de um infarto sofrido há duas semanas.

Ele tinha 67 anos.

Otavio havia começado a desacelerar no final de 2024: deixou o Pátria e estava pronto para curtir mais a vida.

Já mais dono de sua agenda – e dividindo o tempo entre Brasil, EUA e Portugal, onde tinha uma casa – Otavio estava investindo, entre outras coisas, em ovos orgânicos e produtos esportivos (como roupas de tênis e suplementos alimentares).

“Tudo o que fazemos hoje na área de infra começou com a visão e iniciativa do Otavio. Sua veia empreendedora permitiu que muitos projetos fossem desenvolvidos,” Olímpio Matarazzo, o chairman do Pátria e amigo de infância de Otavio, disse ao Brazil Journal.

Otávio Lopes Castello Branco Neto nasceu em São Paulo em 28 de outubro de 1958, cursou engenharia na Poli e fez carreira no mercado financeiro e no mundo corporativo.

Teve duas longas passagens pelo Chase Manhattan/JP Morgan entre 1983 e 2001, numa das quais presidiu a operação brasileira do banco. Também foi CFO da CAEMI, então uma gigante da mineração, entre 1990 e 1995.

Em 2001, no entanto, precisou socorrer o Brasil.

No auge da crise do apagão, aceitou o chamado do Governo Fernando Henrique Cardoso para assumir a diretoria de infraestrutura e energia do BNDES e uma cadeira no Comitê de Crise Energética.

Seu trabalho no período lhe rendeu uma condecoração com a Ordem de Rio Branco e o apelido de “comendador” entre amigos.

Ainda nos quadros do BNDES, fez parte dos conselhos da Vale e da antiga Eletrobras, hoje AXIA Energia.

Passada a crise, em 2003, Otavio foi convidado por Olímpio, um amigo de infância, para integrar a equipe do Pátria.

Primeiro trabalhou na área de M&A da gestora, e em 2006 passou a capitanear a vertical de infraestrutura e energia que mudaria o Pátria de patamar.

No período, Otávio ajudou a fundar a ERSA, a empresa de energias renováveis mais tarde adquirida pela CPFL, foi chairman da Hidrovias do Brasil e conselheiro da Ultrapar.

Conhecido por sua devoção à família, Otávio também era ciclista, tenista e judoca, além de um apreciador de vinhos.

Otavio deixa a mulher, Luciana, quatro filhos e cinco netas.