A ação da SLC Agrícola sobe cerca de 3,3% hoje depois que a companhia anunciou novos termos para sua transação de compra de terras da Radar, implicando em um desembolso significativamente menor do que o inicialmente previsto. 

Em vez de desembolsar R$ 1,85 bilhão para ficar com 28,8 mil hectares de terras agricultáveis no Mato Grosso, a SLC vai desembolsar R$ 669 milhões por 8,9 mil hectares – um alívio de caixa que agradou o mercado num momento em que a alavancagem da companhia está alta.

Em meados de junho, a Bom Futuro, de Eraí Maggi, havia feito uma oferta para comprar as terras que pertenciam à Radar, a JV da Cosan com a Nuveen. Alguns dias depois, a SLC (que arrendava boa parte das terras) decidiu exercer seu direito de preferência pela totalidade das terras, atropelando a transação – o que desagradou o mercado. 

Agora, a companhia da família Logemann entrou num acordo com a Bom Futuro e o empresário Alexandre Bottan (que também eram arrendatários de parte das terras) para dividir as fazendas.

Enquanto a Radar vai ficar com 11 mil hectares totais, dos quais 8,9 mil são agricultáveis, a Bom Futuro vai ficar com 18,7 mil e Bottan com 4,6 mil. 

A SLC já arrendava 17,6 mil hectares do total. Segundo a empresa, ela continuará operando os 8,7 mil hectares que ela não comprou até o final dos contratos de arrendamento. 

Do total, 5,3 mil vencem na safra de 2029/2030 e 900 hectares na safra de 2026/2027 – e essas terras passarão a ser operadas pela Bom Futuro ao fim do contrato. Já 2,5 mil hectares, que foram adquiridos por Bottan e cujo contrato vence na safra de 2026/2027, serão novamente arrendadas para a SLC num contrato de 15 anos a um custo de 19,5 sacas de soja por hectare. 

A notícia foi bem recebida, já que reduz drasticamente o desembolso de caixa da SLC – mesmo que a um custo por hectare maior.

“Na nossa visão, essa é uma notícia positiva do ponto de vista de risco financeiro. Nossas preocupações anteriores sobre uma forte pressão na geração de caixa e aumento da alavancagem agora estão parcialmente mitigadas,” escreveram os analistas do Citi, acrescentando que agora projetam uma alavancagem de 2,3x EBITDA no final de 2026, em comparação aos 2,7x com os termos anteriores da transação.

No Bradesco BBI, o analista Henrique Brustolin disse que o novo formato da transação é mais fácil de digerir, mas notou que o desconto implícito para o NAV piorou. 

Enquanto na transação original a SLC pagaria R$ 64 mil por hectare, na atual ela vai pagar R$ 72 mil – um sinal de que ela pode ter ficado com as terras mais premium do pacote. 

“O deal menor é positivo na margem já que reduz a pressão financeira, mas os retornos mesmo assim seguem apertados: um cap rate implícito de 2,8%, um cash burn anualizado incremental de R$ 82 milhões (vs. R$ 217 milhões do deal completo), e um aumento de 0,3x na alavancagem,” escreveu o analista.

O pagamento da transação será feito em duas parcelas. A primeira, de R$ 255 milhões, será paga agora, enquanto o saldo remanescente será pago em outubro.

A SLC vale R$ 6,7 bilhões na Bolsa. A ação cai 15% nos últimos doze meses.