O Santander Brasil abriu a temporada de balanços de bancos com um resultado preocupante no segundo trimestre.

O lucro caiu para R$ 3 bilhões – 20% menor que o do primeiro trimestre e 18% abaixo do resultado do mesmo período de 2025. A ação despenca cerca de 6% hoje. 

O consenso indicava um lucro de R$ 3,4 bilhões, mas alguns analistas já haviam rebaixado a projeção para entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,2 bilhões nos últimos dias depois de o banco ter sinalizado que faria provisões maiores. 

“E ainda assim veio abaixo, ou seja, um trimestre complicado,” notou um analista do sellside

O lucro operacional foi ainda mais fraco: R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 45% em relação ao tri anterior e de 39% na comparação anual (o EBT foi menor que o lucro líquido, o que indica efeitos positivos na linha de imposto, como o reconhecimento de créditos tributários).

O ROE interrompeu uma sequência de recuperação que havia começado em 2024 e despencou para 12,5% – frente aos 16% do primeiro tri e 16,4% de um ano atrás –, “o que evidencia quanto a meta de alcançar um ROE de 20% nos próximos anos (como almejado pela matriz) ainda parece distante,” disseram os analistas do BTG Pactual.

Parte dessa melhora do ROE foi explicada por alíquotas menores de imposto, e o banco já tinha o desafio de elevar o lucro antes de impostos de forma saudável.

Gilson Finkelsztain, que assumiu o banco em julho,  “terá de arregaçar as mangas e trabalhar duro para reverter essas tendências,” disse a equipe liderada por Eduardo Rosman. 

A call com analistas foi comandada pelo CFO Carlos Muñiz, que disse que o ROE deve voltar a “patamares mais razoáveis” em 2027. A matriz “vai nos cobrar para chegar lá,” afirmou o espanhol, que assumiu o cargo em abril. 

Segundo Muñiz, o resultado do segundo tri reflete um ambiente macro “desafiador”, que elevou o custo de crédito, e também a decisão do banco de continuar mexendo no mix de crédito para reduzir o risco das carteiras – e, assim, “gerar receitas que não gerem provisões”. 

“Essa disciplina na gestão do balanço cria pressão no curto prazo, mas deixa o banco mais preparado para períodos de maior volatilidade e para ter um crescimento sustentado no médio e longo prazo,” afirmou ele.

O CFO disse que “gostaria de ver a receita bombando”, mas não quer crescer “e ter de pagar a conta no futuro”, via um aumento da inadimplência. 

Os números do segundo trimestre sofreram o impacto de uma provisão bem maior, que superou as estimativas do mercado. A PDD aumentou 21% no tri a tri e 12% na comparação anual, para R$ 7,7 bilhões. 

Segundo o banco, cerca de R$ 700 milhões são não-recorrentes e se devem a mudanças nas regras de write-off e a casos específicos do banco de atacado.

Mas a piora do cenário macro deve manter as provisões elevadas – menores que as do segundo tri, já que devem ser descontados os impactos on-off, mas ainda altas. 

Na call, o analista Gustavo Schroden, do Citi, lembrou que o de-risking da carteira – que já dura alguns trimestres – não tem sido suficiente para reduzir as PDDs.

Muñiz disse que o banco está revisando as projeções macro para o período entre 2027 e 2029, e isso terá impacto no volume de provisões – mas adiantou que não está otimista com o cenário e que as PDDs só devem ter uma evolução melhor que a da carteira de crédito em 2027.

A carteira de crédito cresceu 5,8% no ano e 1,3% no trimestre, para R$ 715 bilhões. A margem com clientes caiu 3,2% no tri a tri e 0,4% na comparação anual, em razão da expansão maior em perfis de clientes menos rentáveis. Também houve impacto da nova forma de contabilizar as comissões pagas aos correspondentes bancários.

A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,3%, estável em relação ao trimestre anterior e maior que os 2,6% do mesmo período de 2025.

O ponto positivo do balanço é a disciplina nos custos. As despesas gerais caíram 0,8% no trimestre e aumentaram 2,6% – abaixo da inflação – na comparação anual.

O banco continua fechando agências e reduzindo o quadro de funcionários: as despesas com pessoal diminuíram 1,8% no trimestre e 1,2% no ano. 

O índice de eficiência – que mede a relação entre receitas e despesas – piorou, mas isso se deveu mais à linha de receitas. 

A receita total somou R$ 21 bilhões, com aumento de 0,4% na comparação anual e redução de 2,7% em relação ao primeiro tri.

A ação do Santander cai 23% no ano, um desempenho bem pior que o dos pares: os papéis do Bradesco sobem 1% em 2026, enquanto os do Itaú sobem 8%.