A Unico acaba de levantar US$ 120 milhões numa rodada Série C que avaliou a startup de biometria facial e autenticação de documentos em US$ 1,02 bilhão.  

O investimento na IDtech — anteriormente conhecida como Acesso Digital — foi liderado pelo Softbank e pela General Atlantic, que já haviam investido R$ 580 milhões na startup em outubro passado. Micky Malta, o sócio da Ribbit Capital, e o fundo brasileiro de VC Big Bets, também participaram.

A rodada vem num momento em que a Unico sequer usou boa parte dos recursos do round anterior, mas decidiu colocar mais dinheiro no caixa para acelerar sua estratégia de M&As, contratar mais pessoas e começar a estruturar um plano de internacionalização do negócio. 

O objetivo final: consolidar-se como a principal companhia de autenticação de identidade do mundo. 

“A bioidentidade — que permite ao usuário não ter senha e evitar as fraudes — é algo inevitável no mundo digital,” Martín Escobari, da General Atlantic, disse ao Brazil Journal. “É um problema tão urgente que nos próximos 18 meses todas as empresas com presença digital vão ter que contratar algum fornecedor dessa tecnologia.” 

Obviamente, quem conseguir capturar essa demanda antes terá uma vantagem competitiva difícil de ser contornada. 

“A Unico tem uma barreira de entrada parecida com a do Google,” disse Paulo Passoni, do Softbank. “É fácil criar um algoritmo de busca igual ou similar ao do Google — o que não é replicável é o histórico de buscas que ele tem, e como esse database faz o resultado da busca ser muito superior ao dos outros.” 

Fundada em 2007, a Unico entrou no mercado de identidade digital em 2016 depois de uma visita dos fundadores à Estônia, cujos cidadãos há mais de 20 anos votam, pagam impostos e guardam seu histórico de saúde online.

De lá para cá, a empresa criou o maior database de biometria facial do País, capaz de reconhecer 90% da população economicamente ativa do Brasil. Mais que isso: essa base de dados tem múltiplas fotos de cada indivíduo, o que diminui muito a margem de erro e gera valor para os clientes. 

Essa solução de biometria facial — usada no processo de onboarding de bancos, fintechs e varejistas, e chamada de UnicoCheck  — é o principal produto da Unico e responde por 60% do faturamento da companhia. 

Há quatro anos, a companhia começou a oferecer o UnicoPeople, uma solução que permite aos RH das companhias contratar cada novo funcionário de forma 100% digital.  Em 2019, a prateleira passou a incluir o UnicoSign, uma solução de assinatura digital. 

Em cada uma dessas verticais, a Unico tem concorrentes diferentes (como a Idwall na biometria, e a DocuSign em assinaturas), mas nenhuma empresa opera nas três frentes de forma unificada. 

“Estamos criando vários produtos em volta do conceito de identidade e nosso sonho é que as calças não tenham mais bolsos: que as pessoas não precisem andar com documentos, crachás, ou com as senhas armazenadas no celular,” disse o CEO Diego Martins. “Queremos que as pessoas consigam fazer tudo com a infraestrutura da Unico.”

O pitch tem funcionado: desde o início do ano, a Unico fechou um novo contrato por dia útil com muitas das maiores empresas do Brasil — boa parte na vertical de assinatura digital. 

Segundo o CEO, a Unico já tem mais de 800 clientes na base e fez um anual recurring revenue (ARR) de R$ 150 milhões em dezembro passado. A expectativa é chegar a R$ 400 milhões no final deste ano.

A rodada de hoje vem dois meses depois da Unico comprar a ViaNuvem e alguns dias depois da aquisição da CredDefense. A primeira empresa faz a validação digital da venda de novos carros, operando junto com as concessionárias.  A segunda atua com a biometria facial (mas é focada no segmento de locadoras de carro e educação, onde a Unico ainda não tinha presença relevante). 

As duas aquisições ilustram bem a estratégia de M&As: a companhia está atrás de empresas que tenham um data lake complementar ao seu, ou que atuem em setores em que ela ainda não está.

Ou, no melhor dos mundos, as duas coisas.