A SaaSholic acaba de concluir a captação de seu terceiro fundo, levantando US$ 30 milhões para replicar sua tese anterior num momento em que a AI potencializa os negócios de software.
A captação foi ancorada por dois investidores: a gestora Spectra, que colocou US$ 7 milhões, e Ricardo Goldfarb, da família fundadora da Lojas Marisa e que triplicou o investimento que havia feito no fundo II.

Outro investidor relevante foi a Evertec, a empresa de Porto Rico que adquiriu a Sinqia em 2023 e que decidiu investir no fundo para estar mais próxima das startups do setor.
Fundada em 2019 por Diego Gomes, o fundador da Rock Content, William Cordeiro e Gustavo Souza, a SaaSholic é uma gestora de venture capital focada apenas em empresas de software e rodadas seed.
Nos dois fundos anteriores – o primeiro de US$ 1,5 milhão e o segundo de US$ 10 milhões – o cheques foram de US$ 150 mil a US$ 500 mil por startup, com participações de cerca de 10%.
No fundo III, a ideia é ampliar esses valores. A SaaSholic quer investir de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão e chegar a participações de 12% a 15% nos negócios.
William Cordeiro, um dos fundadores da SaaSholic, disse que o momento é excelente para se investir em SaaS.
“Estamos vivendo uma transformação industrial com a inteligência artificial. O software que conhecíamos antes morreu, mas estamos entrando na era dos ‘agentic software’ e as possibilidades aumentaram muito. Os negócios são muito mais interessantes e tem muitas possibilidades de ir além do Brasil,” o gestor disse ao Brazil Journal.
William reconhece que o boom da AI tem inflado o valuation de muitas rodadas, mas disse que isso tem sido puxado pelos fundos estrangeiros, que ficaram muito grandes e precisam investir cheques maiores, e que a SaaSholic não entra nesse jogo.
“Nosso approach é de ajudar os empreendedores a construir a tese, então sempre conseguimos ter pricing power nas negociações. Conseguimos deals legais porque normalmente estamos liderando a rodada e ditando os termos,” disse ele. “Sempre adotamos essa metodologia de investimentos, mas agora ela está mais verdadeira e importante do que nunca.”

No fundo III, a SaaSholic já fez dois investimentos. O primeiro foi a Kapwork, que está exportando para os EUA um modelo de negócios que já existe no Brasil.
“No Brasil, o regulador criou essa categoria de registradora de recebíveis, e tem a B3, CERC e Nuclea que fazem mais de US$ 1 tri por ano juntos. Nos EUA, esse processo não é regulado, o que abre margem para fraudes, para se descontar a mesma duplicata duas vezes,” disse William. “Resolver esse problema nos EUA era impensável antes, porque ia ter que construir uma empresa gigantes para ficar olhando todas as duplicatas que tem. Agora, com a AI, isso é possível.”
A SaaSholic liderou uma rodada na startup que também teve a participação da CERC.
A segunda transação é um pouco mais controversa. A gestora investiu numa fintech na Venezuela chamada PagoASAP, apostando na redemocratização do País após a queda de Nicolás Maduro.
“Fomos para a Venezuela, fizemos várias visitas, conversamos com o presidente da Bolsa, e lá não tem nada. O País está sendo reconstruído,” disse William.
Segundo ele, a Venezuela não tinha nenhum gateway de pagamentos porque só 2% da população paga com cartão de crédito hoje e os negócios digitais têm dificuldade de crescer.
“A PagoASAP está construindo isso. Ela é uma mistura de Stripe com Remessa Online e Wise. É um gateway de pagamento, mas quando a transação acontece se o empreendedor deixar o dinheiro parado ele perde 5% do poder de compra por conta da inflação, então no fim do dia ela já dolariza o dinheiro automaticamente,” disse ele.
Fundada há 12 meses, a PagoASAP saiu de zero para quase US$ 3 milhões de receita anualizada, sem ter levantado nenhum capital antes e gerando caixa todo mês.

“A Venezuela tem um risco, nem tudo é investível. Mas se você está partindo do nada, do mato e você não tem concorrência e tem uma demanda reprimida grande, o crescimento pode ser explosivo.”
A SaaSholic comprou 15% da PagoASAP por US$ 750 mil, investindo cerca de 2% do fundo – no que o gestor vê quase como uma opcionalidade. “Ele é um deal mais arriscado, mas antes a nossa indústria se chamava Adventures Capital. Às vezes, precisamos arriscar um pouco mais.”
A meta do fundo III é ter de 15 a 20 ativos no portfólio, em linha com o fundo II, que investiu em 17 startups.
O fundo II ainda não devolveu capital, mas o gestor diz que os ativos estão marcados a cerca de 3 vezes o capital investido. Os principais investimentos do fundo II, segundo William, são a Clicksign, de assinatura digital de documentos, e a Jusfy, um ecossistema de ferramentas e soluções para advogados que captou US$ 15 milhões em sua última rodada em julho, atraindo a Quona Capital, Thomson Reuters Ventures, Spectra e The Legal Tech Fund.











