A Rio Tinto e a Glencore confirmaram hoje que estão em conversas preliminares para uma potencial fusão parcial ou total de suas operações, o que poderia criar a maior mineradora do mundo em valor de mercado, superando a BHP.

Pelas negociações em curso, a Rio Tinto compraria a Glencore em uma troca de ações. As empresas têm até 5 de fevereiro para anunciar um acordo vinculante ou descartar a operação. O prazo é previsto na regulamentação britânica para M&As e pode eventualmente ser prolongado. 

A australiana Rio Tinto disputa a liderança global em minério de ferro com a Vale, e tem participação no megaprojeto de Simandou, na Guiné. Ela tem ampliado investimentos em cobre de olho na demanda gerada pela transição energética. 

A Glencore é uma trading de commodities suíça com operações próprias de mineração de metais, incluindo cobre e níquel, também importantes para o processo de eletrificação da indústria global.

A associação entre Rio Tinto e Glencore criaria uma gigante com valor de mercado de mais de US$ 200 bilhões, superando os US$ 160 bilhões da anglo-australiana BHP. 

A potencial fusão foi noticiada primeiramente pelo Financial Times e confirmada pelas companhias. 

As duas empresas já haviam discutido uma possível fusão em 2024, mas na época o negócio não avançou. Tanto Rio Tinto quanto Glencore têm demonstrado apetite por crescimento em cobre, que tem despontado como um dos nichos mais quentes do mercado de mineração devido à demanda por eletrificação. 

No minério de ferro, a Rio Tinto praticamente divide a liderança com a Vale, com uma produção estimada em 323 milhões a 338 milhões de toneladas para 2025, contra 325 milhões a 335 milhões da brasileira. 

Atualmente, está iniciando – em parceria com grupos chineses – as operações do emblemático projeto de Simandou, que tem potencial para ser a nova fronteira produtiva da matéria-prima. A Glencore, por sua vez, atua na comercialização da commodity.

No cobre, o potencial foco da fusão, investimentos em data centers para AI e baterias elétricas impulsionaram o consumo e podem levar a uma falta de oferta de 10 milhões de toneladas em 2040 se não houver uma “significativa expansão da produção”, disse a S&P Global em relatório divulgado hoje. 

A Rio Tinto tem um guidance de produção de cobre de 780 a 850 mil toneladas, enquanto a Glencore mira atingir entre 850 a 875 mil toneladas. O guidance da Vale está em 340 mil a 370 mil toneladas.