Em assembleia realizada na sexta-feira de Carnaval – e com votos decisivos da Previ e do BNDES – os acionistas da Tupy rejeitaram a proposta da gestora Charles River de adotar em estatuto “requisitos mínimos de elegibilidade” para administradores da empresa.
A Charles River pediu a convocação da assembleia em dezembro, depois que a BNDESPar indicou para o conselho da Tupy o ministro da Defesa, José Múcio – eleito na mesma assembleia de sexta-feira passada. Em 2023, outros três ministros de Estado foram para o conselho da fundição.
Entre os requisitos sugeridos pela Charles River, que tem 6,7% da Tupy, estavam o veto à indicação de conselheiros com vinculações políticas e, para a diretoria, a exigência de experiência executiva de liderança comprovada para a posição.
Depois do resultado, a Charles River consignou na ata da assembleia seu protesto contra a “captura recorrente e crescentemente explícita de instâncias técnicas de órgãos da administração e de fiscalização por interesses alheios aos melhores interesses da Tupy mediante indicações de natureza notadamente política feitas por Previ e BNDESPar”.
Para a gestora, a “reiteração desse padrão tem contribuído para um cenário de instabilidade institucional e de deterioração da confiança do mercado na efetividade da governança da Tupy. (…) A companhia, seus administradores e seus órgãos de fiscalização não podem ser convertidos em extensão de agendas estranhas ao interesse social, sob pena do comprometimento do processo decisório, da credibilidade institucional e, em última instância, da criação de valor para todos os acionistas.”
No entender da gestora, “a conduta dos acionistas pode caracterizar exercício abusivo de poder de controle”.
A BNDESPar tem 30,7% da Tupy, a Previ, 27%. Não há, desde 2023, um acordo de acionistas entre eles.
A Charles River também questionou a decisão de considerar os conselheiros indicados pela Previ e pela BNDESPar como independentes.
Numa manifestação também anexada à ata, a Previ disse que as alterações propostas pela gestora estão em linha com as melhores práticas de governança e com a sua política de indicações de conselheiros. No entanto, a Previ disse que o estatuto da Tupy exige uma manifestação do conselho sobre o assunto para “assegurar a adequada compatibilidade da proposta de alteração estatutária ao modelo de governança da companhia”.
A Previ pediu também a avaliação de “eventuais impactos jurídicos e operacionais assim como a verificação da aderência da proposta ao adequado equilíbrio entre os diversos órgãos da administração.” Somente depois disso, a Previ sugere a deliberação dos acionistas em assembleia.
A Tupy vale R$ 1,77 bilhão na Bolsa; a ação acumula queda de 42% em 12 meses.











