A Porto quer transformar seus corretores em influenciadores da própria marca.

A companhia está investindo na formação de creators dentro de sua base de corretores para ampliar sua divulgação no País.

Com mais de 44 mil corretores, a Porto lançou o projeto Porto Academia para treiná-los como usar as plataformas digitais e, ao mesmo tempo, ampliar a venda dos demais produtos oferecidos pela marca.

Para o vice-presidente comercial e de marketing da Porto, Luiz Arruda, os corretores são uma mídia espontânea para a empresa. 

08 28 Luiz Arruda ok

“A primeira turma da Porto Academia era de 1 mil corretores, que juntos têm 4 milhões de seguidores nas redes sociais. Se seguirmos essa proporção, ampliaremos muito o alcance da marca,” Arruda disse ao Brazil Journal. “Nosso maior investimento está no canal, ou seja, o corretor.”

Arruda diz que cerca de 35% do orçamento de marketing da Porto vai para patrocínios, de 17% a 20% para a compra de mídia, e o restante é alocado em iniciativas voltadas aos corretores. 

Além do trato com as câmeras e redes sociais, outro ponto importante para a Porto Academia é preparar os corretores para conhecer toda a carteira de produtos e serviços da companhia.

Segundo Arruda, a ideia é transformar o profissional em uma espécie de advisor para os clientes, capazes de oferecer desde seguros até produtos bancários.

Tradicionalmente, havia entre os corretores da Porto uma concentração na venda de seguro auto. Agora, “queremos que o corretor seja um viabilizador econômico da empresa, deixando de ser um profissional que os clientes procuram só uma vez ao ano,” ele disse.

Em 2020, dos 37 mil corretores da Porto, apenas 900 trabalhavam com múltiplos produtos, enquanto 90% comercializavam apenas seguros auto.

Arruda espera fechar este ano com cerca de 10 mil corretores multiprodutos. Ao mesmo tempo, a média de produtos por cliente, que era de 1,1 em 2020, deve chegar a 2 até o fim de 2026.

O uso dos corretores como micro influenciadores também ajuda a Porto a se conectar organicamente com diferentes públicos e regiões, sem a necessidade de comprar mídia para cada conteúdo.

A estratégia também pode ajudar a reduzir a associação da Porto apenas ao seguro de automóveis.

No plano da companhia, nem os tímidos ficam de fora.

Para os corretores com menor traquejo diante das câmeras, a empresa está desenvolvendo uma ferramenta de inteligência artificial generativa chamada Sales Generating Cloud.

A ferramenta permitirá criar avatares personalizados dos corretores para a produção de conteúdo nas redes sociais. “O corretor só vai mandar o áudio e a imagem dele, nós vamos pegar o script e, juntos, vamos ‘promptar’ isso na AI, criando campanhas para as redes sociais,” Arruda disse. “A gente vai deixar de ser um provedor de conteúdo para virar uma ferramenta de conteúdo para o corretor.”

Outra frente importante dos investimentos de marketing da Porto são os patrocínios de eventos esportivos e culturais, como a Fórmula 1, Porsche Cup, Rock in Rio, The Town e eventos regionais.

Segundo Arruda, além de conectar a companhia aos territórios de música, cultura e esportes, os patrocínios funcionam como ferramenta de incentivo aos corretores: aqueles com melhor desempenho ganham experiências exclusivas nos eventos.

“Nós levamos alguns corretores para a Porsche Cup. Estar dentro de um carro da Porsche faz com que os demais ‘se matem’ para fazer parte desse negócio também,” disse Arruda.

Com a construção de sua própria base de creators, a Porto também pretende continuar ampliando sua rede de corretores, que cresce entre 5% e 10% ao ano. A expectativa é fechar este ano com até 46 mil corretores ativos.

A meta da Porto é formar 44 mil corretores na Porto Academia até 2030.