A Senior Sistemas, a empresa catarinense de software, está comprando crescimento num dos segmentos que mais ganham relevância no mercado de software para gestão de pessoas.
A companhia vai pagar R$ 318,7 milhões para adquirir a Salú, uma HRtech especializada em saúde ocupacional. É a maior aquisição da história da Senior e sua primeira no setor de saúde.

O preço implica um múltiplo de cerca de 3,5 vezes a receita líquida da Salú nos últimos 12 meses, dando à Senior um ativo que cresce acima de 100% ao ano e já opera com margem EBITDA superior a 20%.
Fundada em 2020, a Salú desenvolveu uma plataforma para digitalizar processos tradicionalmente burocráticos da saúde e segurança do trabalho, como exames ocupacionais, emissão de atestados, gestão de afastamentos, absenteísmo e programas legais.
A startup atende mais de 800 empresas — como Nubank, XP, QuintoAndar, GPA, C6 Bank, Afya e Ipiranga — e tem crescido em ritmo acelerado.
Nos últimos 12 meses, a Salú fez uma receita líquida de cerca de R$ 100 milhões. Entre 2024 e 2025, a receita avançou a uma taxa média anual de 115,5%.

“Não fazemos aquisições por oportunidade, mas por estratégia. A Salú complementa nosso portfólio de RH com produtos e serviços que ampliam o valor que entregamos à nossa base de clientes,” Carlênio Castelo Branco, o CEO da Senior, disse ao Brazil Journal.
Fundada em 1988, a companhia comprou mais de 30 empresas de soluções em RH e ERP. Em dezembro, a gaúcha CIGAM, de gestão empresarial, foi adquirida por R$ 162,5 milhões.
Nos 12 meses encerrados em março, a Senior registrou receita líquida de R$ 1,2 bilhão, EBITDA de R$ 364,8 milhões e lucro líquido de R$ 264,3 milhões.
Com a aquisição da Salú, a empresa reforça a estratégia de ampliar sua atuação no chamado HCM, Human Capital Management.
A companhia já oferece soluções de folha de pagamento, ponto eletrônico, recrutamento, admissão digital, gestão de desempenho e desenvolvimento de pessoas.
Mais do que uma nova ferramenta para o portfólio, a tese é incorporar a saúde ocupacional à gestão do capital humano. A aposta é que empresas passarão a tratar dados de saúde, produtividade, absenteísmo e conformidade regulatória de forma cada vez mais integrada.
“Hoje os RHs dedicam uma parte significativa do tempo a tarefas operacionais. Nosso papel é automatizar esses processos para liberar as equipes e permitir que elas foquem mais nas pessoas,” disse Carlênio.
Com a transação, a Senior adiciona cerca de 460 mil vidas à sua base. Atualmente, suas plataformas administram mais de 11 milhões de colaboradores e processam aproximadamente 7 milhões de folhas de pagamento. A empresa estima que cerca de 18% das folhas salariais do País passem por seus sistemas.
O fundador e CEO da Salú, René Neme, permanecerá à frente da operação após a conclusão do negócio. Os outros dois fundadores da startup, Ricardo Silveira e André Boff, também passam a ser executivos da Senior.
A transação ainda depende da aprovação do CADE e do cumprimento de condições precedentes.
As companhias não usaram assessores financeiros.











